quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Dom Paulo Evaristo Arns diz que irmã ‘está no coração de Deus’

Zilda Arns esteve em Iguatu
Luciney Martins/O São Paulo

O arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, disse na manhã desta quarta-feira (13) que sua irmã, Zilda Arns Neumann, “está no coração de Deus”, segundo a secretária pessoal do arcebispo, irmã Devanir. Coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda morreu no terremoto no Haiti ocorrido nesta terça-feira (12).

Segundo a irmã Devanir, dom Paulo afirmou que Zilda teve uma vida maravilhosa e morreu ao lado dos mais necessitados. "Ele disse que é uma morte que surpreende, mas é uma morte bonita porque ela morre no cumprimento de uma causa que sempre acreditou". Ainda conforme a secretária, o arcebispo está sereno. Ele preparou uma nota em que comentou a morte da irmã

Zilda Arns Neumann tinha 73 anos, era médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa. Ela era representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Ela nasceu em Forquilhinha (SC) e morava em Curitiba.


Desastre
O terremoto que atingiu o Haiti tinha magnitude 7 na escala Ritcher, destruiu vários prédios na capital, Porto Príncipe, e causou devastação no país da América Central. O tremor afetou a estrutura de telecomunicações no país, e as informações sobre vítimas e danos ainda são desencontradas. O Brasil comanda uma missão de paz da Organização das Nações Unidas naquele país.

A informação da morte de Zilda foi divulgada na manhã desta quarta-feira (13) pelo gabinete do senador Flávio José Arns, sobrinho da mulher, em Curitiba. Ele irá acompanhar a missão brasileira que seguirá nesta manhã para o Haiti. "Ela faleceu mesmo. Ela estava junto com um tenente e os dois foram atingidos e morreram", disse Flávio Arns ao G1.

O Comando do Exército do Brasil confirmou nesta quarta que quatro militares brasileiros morreram no Haiti em função do terremoto de magnitude 7 que atingiu o país na véspera. De acordo com o Exército, os militares mortos são: 1º tenente Bruno Ribeiro Mário, o 2º sargento Davi Ramos de Lima, o soldado Antônio José Anacleto e o soldado Tiago Anaya Detimermani, todos do 5° batalhão de Infantaria Leve, com sede em Lorena (SP). Todos eles estavam fora da base no momento do terremoto.

Segundo o Comando do Exército, Lima fazia parte do 5° batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena, a 188 quilômetros de São Paulo. Além dele, também foram confirmadas as mortes do 1º tenente Bruno Ribeiro Mário, do soldado Antônio José Anacleto e do soldado Tiago Anaya Detimermani. Todos eles estavam fora da base no momento do terremoto.

O subchefe de Comunicação Social do Exército, coronel Eduardo Cypriano, afirmou que só haverá divulgação sobre mortes depois que os corpos forem identificados e que as famílias forem avisadas. "É provável que tenhamos mais mortos", admitiu Cypriano.

Neiva acrescentou que ainda não é possível "precisar" quando os corpos chegarão do Brasil. Atualmente, há 1.266 militares brasileiros no país, segundo o ministério da Defesa.

Veja a íntegra da nota de dom Paulo:

"Acabo de ouvir emocionado a notícia de que minha caríssima irmã Zilda Arns Neumann sofreu com o bom povo do Haiti o efeito trágico do terremoto. Que nosso Deus, em sua misericórdia, acolha no céu aqueles que na Terra lutaram pelas crianças e os desamparados. Não é hora de perder a esperança."

Paulo Evaristo Cardeal Arns
13.01.2010

Paulo Toledo Piza
Do G1, em São Paulo

Foto de Zilda Arns: J.Guedes
Jornal A Praça

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