quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Centro-Sul expande área do cultivo de uva

HONÓRIO BARBOSA

Iniciada colheita de uva em sítios de Iguatu, onde produtores mostram-se otimistas com o cultivo da fruta na região

Iguatu. A produção de uva vem mudando a paisagem do sertão na região Centro-Sul. Neste município, uma área está em fase de colheita dos frutos e outras em desenvolvimento da cultura. Os produtores rurais que investiram em implantação de parreirais estão satisfeitos com a renda obtida na comercialização. Em 2009, foram implantados mais três hectares, dobrando a área de cultivo que foi iniciado em 2007.

No Sítio Lagoa Seca, zona rural deste município, os trabalhadores fazem a colheita de uva das variedades Itália Melhorada (verde) e Benitaka Brasil (roxa), numa área de dois hectares. O trabalho prossegue até o próximo mês de março. Esta é a terceira colheita da unidade produtora. O produtor Francisco Antônio Ferreira de Souza, mais conhecido por Fran, um dos pioneiros na produção da cultura, está otimista com o desenvolvimento do plantio e satisfeito com o resultado obtido.

De acordo com a previsão do produtor, nesta safra de verão serão colhidas 30 toneladas. Desde a primeira colheita, a produção é crescente. "Neste ano, vamos recuperar o investimento de R$ 80 mil na implantação do parreiral", prevê o produtor Fran de Souza. "O nosso projeto deu certo e vou ampliar a área de produção em mais um hectare", afirma.

Mercado local

O preço pago ao produtor pelo quilo da uva é de R$ 2,50 e nos mercadinhos e na feira, o consumidor paga R$ 4,00 pelo quilo do produto. Além de produtor de uva, Fran de Souza é um dos atacadistas de frutas na região Centro-Sul. A ideia dele é ampliar a produção para que abasteça o mercado local, que é estimado em duas toneladas por semana. "A partir deste ano quero ter uma safra suficiente para atender a demanda do município", disse.

No Sítio Gameleira, a safra começou em dezembro passado e vai se estender por 15 semanas. O produtor queixa-se da falta de mão-de-obra no campo para o trabalho de colheita dos frutos. "Infelizmente, essa é a nossa maior dificuldade", disse. "Quem é produtor rural sabe da escassez de trabalhadores rurais para as atividades de agricultura e pecuária".

A decisão dos produtores de uva está mudando aos poucos o perfil da economia agrícola local e o município de Iguatu vem se consolidando como um polo de fruticultura da região Centro-Sul. "As experiências em andamento estão servindo de modelo para outros agricultores", disse o secretário de Agricultura do município, Valdeci Ferreira. "Em 2007, eram apenas dois hectares, neste ano teremos cinco em produção e a perspectiva é de crescimento".

O parreiral de 2ha no Sítio Lagoa Seca encanta os visitantes. Os cachos são bonitos e bem distribuídos. Implantado há um ano e meio, por um custo de R$ 80 mil, na primeira safra a colheita foi de 10 toneladas. A partir do terceiro ano deve estabilizar em torno de 30 toneladas por hectare. "Fiz um escalonamento e toda semana terei colheita de uva até meados de março próximo", comemora Fran de Souza.

O plantio de uva do Sítio Lagoa Seca usa a técnica de formação de dupla espinha de peixe, isto é, o pé divide-se em dois ramos laterais sobre os fios da latada, aumentando a produção em pelo menos 50%. O parreiral fica com mais vigor. Em face da produção restrita a determinadas áreas isoladas no sertão, a videira ainda não sofre ataque dos principais fungos, mildo e oídeo. Praticamente não há uso de agrotóxico no cultivo.

Natureza favorável

Frutos sadios e de elevado teor de açúcar. Essa é uma das características da uva produzida no Sítio Lagoa Seca, que agrada os consumidores locais. "A terra e a água são muito favoráveis e contribuem para fazer de Iguatu um polo de produção de fruteiras", disse o secretário Valdeci Ferreira.

Ele comemora o resultado da expansão da fruticultura no município. "Em cinco anos de trabalho, estamos chegando a quase 100 hectares de novas culturas implantadas", disse. "Esse número pode parecer pouco, mas representa um avanço, pois partimos de quase nada".

Segundo Ferreira, a tendência é de crescimento. "Cada vez mais, novos produtores estão interessados em produzir frutas". Esse quadro aponta para uma mudança no perfil econômico e de produção de tradicionais culturas de subsistência. Sai o feijão e entra a fruteira. E uma das culturas em maior expansão é a goiaba.

O gerente regional da Ematerce, Joaquim Virgulino Oliveira Neto, destaca a presença da instituição desde o início do projeto de introdução de fruticultura na região Centro-Sul em parceria com secretarias municipais de agricultura. "Todo desenvolvimento que vem ocorrendo nessa área tem a participação direta da Ematerce", frisou. "Apoiamos a agricultura familiar e agronegócio".

Neto disse que o Centro-Sul está se transformando em um polo produtor de fruteiras. "O mercado é favorável e a produção regional pode ser facilmente comercializada para Fortaleza". Além de Francisco, há mais três produtores locais que estão investindo na uva.

PRODUTIVIDADE

"A partir deste ano a minha produção vai atender à demanda do mercado local"
FRAN DE SOUZA
Produtor rural

"A terra e a água contribuem para fazer de Iguatu um polo de produção de fruteiras"
Valdeci Ferreira
Secretário de Agricultura do município de Iguatu

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Agricultura
Município de Iguatu
Centro-Sul
(88) 3581.6527


HONÓRIO BARBOSA
Repórter/DN

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