Estrada já foi a principal ligação do Ceará com o Piauí. Moradores dizem que não foi recuperada devidamente
Croatá. Uma estrada considerada importante para este município da Serra da Ibiapaba tem sido motivo de preocupação não só para os moradores, mas também para os motoristas que a utilizam como forma de escoamento de produtos agrícolas produzidos na região. A estrada recebeu melhorias na sua estrutura, mas a qualidade do serviço está sendo questionada.
Os moradores que chegaram a comemorar a recuperação da rodovia se dizem frustrados com a obra, que já foi a principal via de acesso entre os Estados do Ceará e Piauí, antes da construção da BR-222. "Uma obra que deveria receber uma atenção maior por parte do governo é completamente esquecida. A empresa que fez o trabalho de recuperação demorou pouco mais de um mês, tempo em que, para qualquer pessoa leiga, só dá mesmo para fazer uma raspagem", disse o agricultor Francisco Monteiro de Sousa, que mora na divisa dos dois Estados.
Ele considera a rodovia importante para os dois Estados, principalmente para Croatá, por estar mais próximo de sua comunidade, do que a cidade Pedro II, que fica 42 km. "Daqui pra lá a distância é de apenas de 35 quilômetros, é mais perto", destaca o agricultor.
Para o secretário da Infraestrutura e Desenvolvimento Rural, Domingos Ramos Felinto, a obra é de responsabilidade do Governo do Estado e custou aos cofres públicos R$ 734 mil. "Já levei a denúncia até o Quintino Vieira, e ele garantiu que estaria aqui para fiscalizar a obra, mas até agora não veio", disse o secretário, acrescentando que fez uma série de observações sobre a qualidade da estrada, sob a responsabilidade da Construtora Samaria Ltda.
A reportagem tentou conversar com superintendente do Departamento de Edificações e Rodovia do Ceará (DER), Francisco Quintino Vieira Neto, na manhã de ontem. A assessoria informou que ele se encontrava em reunião e não poderia atender.
A rodovia tem uma extensão de 35km até a divisa do dois Estados. De lá até Pedro II, no Piauí, são mais 42km. A estrada de piçarra termina no entroncamento com a BR-404. Até lá são apenas 12km.
No início do século XX, era considerada a estrada mais importante da região pelo fato de ser a única que aproximava o Ceará do Piauí. "Até 1942, o progresso passava por aqui com destino à Teresina, mas depois que surgiu a rodovia federal, ligando os dois Estados por Tianguá, nós caímos no esquecimento", conta Edmilson Otaviano Gonçalves, 82 anos, antigo morador da cidade.
Ele relembra como foi o fechamento da rodovia. "Aqui tinha um senhor conhecido por ´Coito´ que levava e trazia passageiros de Teresina para Fortaleza e que em 1942 anunciou que não viajaria mais por essa estrada e que passaria a usar a rodovia ainda em piçarra feita pelo Governo Federal, que começava em Tianguá indo até Piripiri. Daquele dia para cá Croatá não foi mais a mesma", recorda.
A estrada vicinal deveria ter recebido em toda sua extensão até a divisa uma camada de piçarra, mas o que se nota é que, em alguns trechos, a camada é muito superficial e em outros pontos foi despejado um material argiloso. "Há um trecho que foi apenas raspado e molhado. Não colocaram material apropriado, com era de se esperar", disse o secretário.
MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Rural de Croatá
Rua Luis de Pinho, 746 - Caroba
(88) 3659.1183
Wilson Gomes
Colaborador/DN
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