segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Paus-de-arara são alternativa na zona rural

Aracati-CE. Elemento símbolo da nordestinidade, rústico, mas nem por isso singelo, os caminhões paus-de-arara, que transportam milhares de sertanejos entre comunidades rurais ou mesmo municípios de pequeno porte - driblando as rodovias federais, estão em toda cidade. Uma carroceria ampla de um caminhão, banco de madeira dos lados e uma lona no teto. Um escada na traseira para subir idoso, mulher e menino. Esses veículos trafegam muitas vezes sem quaisquer critérios de segurança, e ao mesmo tempo são a única forma de translado entre muitas comunidades.

O caminhão de seu "Aureliano" passa o dia entre a cidade de Aracati e as comunidades rurais vizinhas, como São Chico e Pedregal. O leva e trás é de gente que vai fazer compras no Centro da cidade, ou consultas no hospital, ou ainda vender o artesanato que fez em casa, como Florinda Mendes, que desce do caminhão com uma sacola de miniaturas de madeira móveis domésticos. "Aqui se não for esse caminhão, ninguém consegue sair de casa, de bicicleta o risco seria grande, porque os carros não respeitam".

Mas o pau-de-arara de ´seu´ Aureliano não tem muita segurança. A bancada de madeira dos dois lados está bem "firme", mas para quem senta e precisa se segurar aos trancos e barrancos só mesmo enganchando o braço na moldura da carroceria, o que seria o encosto do banco. O esforço é maior para as mães com criança no colo. Uma mão no filho e a outra na madeira da carroceria. O motorista conta que já "teve de cair gente pra fora do caminhão, mas isso não foi no meu não, foi de um amigo que a gente não vai ser besta de dizer o nome, né? Aqui eu dirijo direitinho", garante sobre o seu ganha-pão (R$ 1,00 de cada passageiro, que pode chegar a 30 por viagem).

No posto da Polícia Rodoviária Federal em Russas, a fiscalização dos agentes do inspetor João de Paula têm mudado a realidade desse tipo de transporte pelas rodovias. Assim, esses veículos procuram as estradas carroçáveis, mais distante da fiscalização. Em Limoeiro do Norte, o Departamento Municipal de Trânsito orienta os motoristas desses veículos sobre o cuidado no número de passageiros. A intenção é evitar o "bigu", quando os passageiros ficam pendurados na traseira do caminhão e, literalmente, à beira do acidente em plena rodovia.

Região do Cariri

"Só deixo meu Cariri no último-pau-de-arara". A letra da música "Último Pau de Arara" continua mais atual do que nunca na zona rural do Cariri do Cariri. Aos poucos os caminhões paus-de-arara estão sendo substituídos por topiques e caminhonetas. No entanto, ainda se observa a presença desse tipo de transporte nas estradas que dão acesso ao Cariri. Este movimento de caminhões é mais intenso nos dias de feiras, quando os moradores da zona rural se deslocam para a cidade, a fim de vender e comprar mercadorias.

O transporte de passageiros em carrocerias de caminhão ou caminhonetes é ilegal. "No Cariri existe uma tolerância dos órgãos fiscalizadores, notadamente nas épocas de romarias para Juazeiro e Canindé", diz o chefe da regional do Detran, com sede em Juazeiro, José Maia.

Mais informações
Polícia Rodoviária Federal, em Russas, (88) 3411.0290
Detran em Juazeiro , (88) 3102-1130

MELQUÍADES JÚNIOR/ANTONIO VICELMO
COLABORADOR/REPÓRTER
DN

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