terça-feira, 16 de junho de 2009

Estado em destaque na exportação de frutas

RODRIGO CARVALHO
Russas - CE. A participação do Ceará no ranking de exportações de frutas, no Brasil, passou de 12,2%, em 2007, para 18,1%, no ano passado. No contexto das exportações estaduais, a fatia correspondente à fruticultura aumentou de 6,7%, em 2007, para 10,3%, em 2008, fazendo com que o setor alcançasse o quarto lugar na pauta de exportações cearenses e superando os produtos têxteis. No total, as vendas de frutas produzidas no Ceará e destinadas ao comércio exterior, somaram US$ 131,6 milhões. À frente do Ceará, entre os Estados exportadores de frutas, aparecem apenas a Bahia e Pernambuco, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

É verdade que a safra deste ano não será tão robusta por conta do excesso de chuvas — no perímetro Jaguaribe-Apodi, empresas ameaçaram recuar nos investimentos e até demitir, alegando ainda os altos custos com energia elétrica. É inegável, contudo, que os números representam um marco para a economia cearense. E grande parte do mérito é dos perímetros irrigados. Longe da realidade em que armazéns são ocupados por famílias ao invés de abrigar a produção e que lotes são irrigados por alagamento, estes perímetros utilizam tecnologia israelense para medir a umidade do solo e irrigar somente o necessário. O Tabuleiro de Russas e o Jaguaribe-Apodi, se somados, respondem por 25% das exportações de frutas do Ceará.

De acordo com o coordenador de Planejamento do Dnocs, José Alberto de Almeida, a explicação para o avanço destes perímetros está no modelo em que foram concebidos. “Os mais antigos foram entregues a quem precisava e não a quem tinha condições de produzir”.

Uma das maiores empresas que atuam nos perímetros cearenses é a Frutacor, do empresário João Teixeira Júnior, conhecido como o Rei dos Perímetros. Só no Tabuleiro de Russas, são 93 hectares de mamão, 63 de banana e 98 de laranja e limão, sem contar os lotes de produtores parceiros, cuja produção é absorvida pela empresa. De acordo com o administrador da Frutacor no Tabuleiro, João Pereira, o segredo é buscar novas formas de negócio, onde a produtividade seja máxima e as perdas perto de zero. “Não dá mais para brincar de ser agricultor”, afirma. “Quando nos associamos a pequenos produtores praticamente dizemos para esquecerem tudo o que sabem”.

No perímetro Jaguaribe-Apodi, são 8.000 hectares irrigados, sendo que outros 2.500 aguardam liberação de licitação por parte do Governo Federal para começarem a funcionar. “Não produzimos mais porque não tem onde. A pressão dos produtores para início desta segunda etapa é grande”, revela Raimundo César dos Santos, o Alemão, coordenador do Conselho de Administração do perímetro. Ali, só a multinacional Delmonte conta com mais de 1.300 funcionários. “O potencial daqui ainda não está sendo totalmente explorado”.

Mesmo nos perímetros que prosperaram os problemas existem. O maior deles diz respeito à falta de verbas e de assistência técnica. “Os perímetros ainda não se emanciparam, mas o Dnocs age como se já tivessem”, avalia o gerente de Operação e Manutenção do Tabuleiro de Russas, Vandemberck Rocha.

Ele conta que o convênio para repasse de verbas firmado com o Dnocs é de 2007 e não atende mais às demandas do perímetro, cujas despesas de manutenção giram em torno de R$ 1,5 milhão por ano. “Os investimentos aqui foram de R$ 200 milhões. Tudo corre o risco de entrar em colapso se o contrato não for renovado”, ressalta Sildemberny Souza, coordenador do Conselho Administrativo do perímetro.

Cobrança

Iniciada pela Cogerh em 2003 - e suspensa dois anos depois -, a cobrança pela água nos perímetros irrigados ainda é um dos maiores desafios quando se fala em gestão de recursos hídricos no Estado, para setor industrial e saneamento. “Há uma resistência muito grande por parte dos irrigantes em pagar pela água”, diz o gerente regional da Companhia, em Sobral, Vicente Lopes. Para ele, o fato se deve à falta de consciência sobre o valor da água.

No Araras Norte, é cobrada uma taxa cujo cálculo é feito a partir de uma média entre os metros cúbicos consumidos e os quilowatts utilizados para levar esta água do canal até os lotes (R$ 0,19/metro cúbico). A medição é feita através de hidrômetros individuais e de dados fornecidos pela Coelce. É o chamado KII. Além deste valor, os irrigantes pagam uma taxa de R$ 70, conhecida como K1, por caixa - sistema por onde a água chega - existente no lote. São 79 produtores distribuídos em 99 lotes.

De acordo com o presidente do Conselho Administrativo do perímetro Araras Norte, José Ramalho Crispim, desde quando o Dnocs iniciou o processo de emancipação e suspendeu a destinação de verbas para o perímetro, foi preciso encontrar formas de garantir as receitas suficientes para manter o negócio. “Nenhum perímetro tem condições de se emancipar”.

O diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, discorda. Apesar de reconhecer o problema da insconstância do repasse de verbas por parte do governo, ele afirma que está na hora de alguns perímetros caminharem com as próprias pernas. “Há problemas no repasse, mas também há muita incompetência em alguns casos”, resume. “Se o perímetro evolui a ponto de exportar, é hora de iniciar a redução gradativa dos repasses e não de ampliá-los”.

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