quarta-feira, 27 de maio de 2009

Geladeira do futuro vai estar na casa toda

As necessárias geladeiras, vitais na conservação, são também vilãs do meio ambiente, por seu consumo permanente de energia. Tanto que o governo tem planos para substituir 10 milhões nelas nos próximos anos por outras de funcionamento mais econômico. Mas o quadro pode mudar em futuro não muito distante, graças a tecnologias que estão sendo testadas ou já aplicadas nas bancadas dos cientistas ou nas indústrias. O professor Jader Barbosa, do Polo (Laboratórios de Pesquisa em Refrigeração e Termofísica), ligado à Universidade Federal de Santa Catarina, vê três caminhos, dois deles já em prática: 1) geladeiras que operam com dióxido de carbono (CO2), o principal gás de efeito estufa, retendo 300 gramas em seus dutos, 2) movidas a isobutano, gás menos agressivo ao meio ambiente, e 3) refrigeração magnetocalórica, que se baseia na mudança de temperatura observada em alguns materiais quando submetidos a um campo magnético (ímã).

Somente os 10 milhões de geladeiras que o governo pretende substituir nos próximos anos poderiam armazenar 3 milhões de toneladas de CO2. O dióxido de carbono já é usado em geladeiras comerciais e a Europa vai exigir que o ar-condicionado dos novos veículos também contenha o gás. Nas Olimpíadas 2008, em Pequim, por exemplo, os refrigeradores para a venda de bebidas energéticas e refrigerantes usavam o CO2 e a tecnologia empregada teve a participação dos laboratórios do Polo. Mas é à refrigeração magnetocalórica que Barbosa se dedica agora.

Para usar uma imagem da jornalista Arley Reis, da Agência de Comunicação da UFSC (que também cedeu a foto do professor para o Mercado Carbono), o domínio cada vez maior do conhecimento faz com que os pesquisadores vislumbrem mudanças nos conceitos relacionados à refrigeração doméstica. "Ao invés de reservar espaço para esse equipamento na cozinha, imagine gavetas refrigeradas em armários, atendendo a necessidade de diferentes temperaturas. Em vez de um frigobar no quarto, gavetas resfriadas. Aplicações avançadas, como roupas e calçados com capacidade de resfriamento, são também vislumbradas, assim com o maior controle sobre o condicionamento de ambientes."

Barbosa explica que alguns metais como lantânio e gadolínio, quando submetidos a campos magnéticos, mudam de temperatura. Apesar de o efeito magnetocalórico ser conhecido há mais de um século, só recentemente, com a descoberta de ligas especiais, tem sido possível sua exploração em refrigeração perto da temperatura ambiente. Grupos de pesquisa nos Estados Unidos, Japão e França já desenvolveram protótipos de refrigerados magnéticos. O primeiro protótipo de demonstração do Polo estará em funcionamento até o final do ano, prevê Barbosa. A refrigeração magnetocalórica é uma tecnologia limpa, silenciosa e com grande potencial para redução de consumo de energia no futuro.

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Refrigeração e Termofísica receberá R$ 4,8 milhões nos próximos três anos para melhor compreender os fenômenos relacionados à produção de frio, sob coordenação do Polo. O setor reúne cerca de cem pessoas, entre professores, pesquisadores, técnicos e

DiárioNet

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