segunda-feira, 18 de maio de 2009

9 mil na fila da Reumatologia

A maioria dos pacientes é obrigada esperar até 11 meses por a uma consulta no setor de ReumatologiaMais de 9 mil pacientes aguardam na fila por uma consulta no setor de Reumatologia do Hospital Geral de Fortaleza, de acordo com o chefe do Setor de Reumatologia do HGF, Walter Pinto Vieira. Segundo ele, os pacientes são obrigados a esperar, em média, 11 meses, pela consulta.Para alguns a espera é ainda maior.

É o caso de Josefa Alves Martins da Costa, 50 anos, que aguardava há dois anos. No sábado passado, ela foi uma das 200 pacientes atendidas no mutirão de consultas que o Setor de Reumatologia promoveu, em comemoração aos 40 anos do HGF.Na consulta, a mulher relatou que sente muita dor nas juntas e cansaço nas pernas. “Não posso nem trabalhar”, disse a paciente de Trairi.

Ela terá de fazer exames para confirmar ou não o diagnóstico de fibromialgite, síndrome clínica que se manifesta com dor no corpo todo, principalmente na musculatura, fadiga, intolerância a qualquer exercício e sono não repousante.O médico Walber Pinto admite que a longa espera por uma consulta cria um problema sério. “Quando o paciente retorna para mostrar os exames, depois de meses, em alguns casos, o quadro clínico se agravou”. Ele explica que os pacientes deveriam esperar, no máximo, três meses pela consulta, mas devido a sobrecarga na demanda, muitos só tem consultas marcadas para março do próximo ano.Apesar do mutirão do último sábado, não ter acabado com a fila de consultas, resolveu o problema daqueles pacientes que foram selecionados.

Foi o que aconteceu com a dona-de-casa Luiza Marilac de Lima, 36 anos, que tem problemas de artrite reumatóide há três anos. “Se não fosse o mutirão, não tinha nem data prevista para a minha consulta em 2010”.Em geral. os casos que chegam ao HGF são de pacientes que não tiveram o problema resolvido pela rede primária de saúde. São doentes acometidos de artrite reumatóide, osteoporose, lúpus, artrose ou espondilites.

De acordo com Pinto, são atendidos, por mês, entre 800 e mil pacientes no setor de Reumatologia, que conta hoje com uma equipe de 12 reumatologistas, quatro residentes médicos - que passam dois anos no hospital, além de três a quatro internos do último ano de Medicina e um residente clínico.

Referência
O HGF é hoje referência no tratamento de doenças reumáticas, através do uso de medicamentos biológicos, uma nova geração de remédios que atuam diretamente nos mecanismos da inflação. “São indicados na redução de sinais e sintomas em portadores de artrite reumatóide, em pacientes adultos com atividade inflamatória articular de moderada a severa e que não responderam adequadamente aos tratamentos com um ou mais antiinflamatórios de ação prolongada”, esclarece o médico.Os medicamentos biológicos, acrescenta Walber Pinto, são produzidos por meio de células vivas que interagem com proteínas humanas, bloqueando ou diminuindo a inflamação. “A medicação é injetável, sendo aplicada semanal, quinzenal ou a cada dois meses, de acordo com a doença do paciente”, afirma o médico.

O custo do tratamento é alto, em torno de R$ 60 mil por ano.O chefe do Setor de Reumatologia do Hospital Geral de Fortaleza diz que o governo Federal cobre dois terços das despesas, enquanto o Estado do Ceará é responsável por um terço restante. O hospital dispõe de três tipos de medicamentos biológicos, outros não foram autorizados pela União.É o caso do Rituxima, usado no tratamento do Lúpus, que custa a metade do preço dos demais, mas ainda não entrou na rede federal. “O governo do Estado banca sozinho a compra do medicamento para os pacientes do HGF”, diz.

Suelem Caminha
Repórter
DN

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