terça-feira, 21 de abril de 2009

Pernambucano ganha vida tocando violino dentro de ônibus

Moradores de grandes cidades estão acostumados com pedintes circulando pelos transportes coletivos, mas artistas são raros. Os repórteres Bruno Fontes e Robson Batista encontraram um deles no Recife.

“Quando eu toco, eu também sou tocado. As ondas sonoras são vibrações e quando entram em nosso ouvido o fazem vibrar e somos tocados pela música e pelo nosso som. Eu consegui a sobrevivência com o violino. Agradeço ao instrumento e a Deus, que meu deu o dom e a coragem para ir batalhar”, diz o violinista Jessé de Paula.
O talento para a música ele descobriu na adolescência. “Aos nove anos, eu tive o primeiro contato com o violino”, conta Jessé.
O instrumento é companheiro inseparável. As notas musicais que tira do violino garantem o sustento de Jessé e ajudam no tratamento da mãe que tem problemas mentais.

Passageiro e violinista
O sonho dele era tocar numa orquestra, como não conseguiu embarcou em outro palco. No ônibus, ele é passageiro e violinista. Músico com liberdade para ser reconhecido.
“Esse trabalho que eu estou fazendo nos ônibus é música. Entro e pago minha passagem como cidadão comum. Começo a tocar e saem mais músicas populares. O mais complicado é se equilibrar. É um surfe musical. Teve uma ocasião que o motorista parou e queria que eu descesse alegando que eu estava atrapalhando a concentração”, relata o músico.
Dificuldades ele aprendeu a tirar de letra. Até porque em qualquer lugar sempre há alguém que gosta de música. “Deveria ser mais prestigiado pelo povo porque é um artista sem nome”, diz um motorista de ônibus.
Jessé consegue entre R$ 20 e R$ 30 por dia tocando nos ônibus e não desistiu de tocar em uma sinfônica.

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