sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Inclusão digital para idosos


HONÓRIO BARBOSA
Aliar alfabetização de adultos com a Informática é um dos objetivos de programa de inclusão digital em Iguatu

Iguatu. Um projeto inédito está mudando a vida de idosos nesta cidade. A ideia é alfabetizar com a Informática. Para um grupo de idosos, o computador não é mais um bicho estranho, que dá medo. Da tela surgem as primeiras letras, palavras e frases tecladas, ou melhor, criadas pelos estudantes idosos que aliam a alfabetização com o domínio básico do computador.
O desafio é duplo e está sendo vencido por um grupo de homens e mulheres acima de 61 anos de idade. O Programa de Atendimento à Pessoa Idosa com Inclusão Digital (Papi) começou a funcionar há quatro meses no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), no Centro, nesta cidade. Os alunos utilizam uma sala de aula convencional e um laboratório de Informática. As lições de alfabetização e de computação são ministradas pela professora Josefa Ribeiro.
O programa piloto está ajudando a mudar a vida da aposentada Angelita Belarmino da Silva, 85 anos. É a mais idosa da turma. Dona de casa, nunca teve oportunidade de aprender a ler e a escrever, mas agora está sendo alfabetizada com a ajuda do computador. Apesar da idade, mostra disposição, vontade e coragem para enfrentar o novo desafio. "Dizem que o computador é um bicho papão, mas estou me dando bem com ele", afirma. "Estou gostando muito e não falto uma aula".
A aposentada Angelita da Silva conta que às vezes pedia a um neto para que ele fizesse um trabalho no computador, mas alegava falta de tempo. "Decidi aprender para não precisar mais dele", diz ela, em tom de brincadeira. "Meu neto agora está surpreso". Ela lamentou que algumas pessoas têm vergonha por não saber ler e escrever. "Não é preciso ter vergonha alguma", aconselha.
O clima entre os alunos é de motivação. "Aqui a gente tem oportunidade de aprender e de fazer novos amigos", diz a dona de casa, Antônia Sobreira, 69 anos. "A nossa vida mudou muito e agora está mais alegre e participava", reconhece.
Segundo a professora Josefa Ribeiro, os alunos passaram a ter vontade de viver mais, estão mais alegres e houve melhoria da autoestima. "Um curso como esse ajuda a desenvolver a pessoa. Aqui é uma sala de felicidade", elogia a docente.
João Gabriel da Silva, 72 anos, pescador aposentado, e Maria José da Silva, 68 anos, costureira, estão casados há 43 anos e permanecem juntos na hora de estudar as lições da alfabetização e de Informática. "Nunca tinha mexido num computador, tive medo e pensei que era uma fera perigosa", disse João Gabriel. "Agora o medo passou e estou gostando muito", admite.
Quatro meses depois, os alunos já aprenderam a escrever algumas palavras e também conseguem digitar frases da lição de alfabetização com apoio da Informática, por meio do Programa Luz do Saber. Para quem chegou sem saber sequer ligar o computador, houve grandes avanços. Os alunos, inicialmente, aprenderam a identificar o monitor, o mouse, o teclado. E avançaram. Já conseguem digitar palavras e frases que aprendem no programa de alfabetização, que tem como base conceitual o método Paulo Freire.
No curso se aprende o "bê-a-bá" da alfabetização regular e digital. O treinamento abre janelas para novos conhecimentos e valorização pessoal. "Antes de vir pra cá só ouvia falar no computador", disse Antônia Sobreira. "Agora conheço um pouco dessa máquina". Alguns, em casa, podem contar com a ajuda de filhos e de netos.
O Papi, neste ano, é realizado nas cidades onde há sedes dos Centros Regionais de Desenvolvimento da Educação (Credes). A meta da Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) é ampliar o programa a partir de 2010. O projeto atende a pessoas acima de 60 anos, alfabetizando com a inclusão digital. As aulas acontecem de segunda a quinta-feira, das 13 às 17 horas.
O cancioneiro popular Gonzaguinha, em uma de suas composições de sucesso, deixou uma lição sobre a vida e a necessidade de sempre aprender algo. "Viver, e não ter a vergonha de ser feliz/Cantar e cantar e cantar/A beleza de ser um eterno aprendiz". Esses versos bem que podem ser aplicados ao grupo de 13 alunos da terceira idade que estão tendo a oportunidade de serem alfabetizados a partir da inclusão digital, nesta cidade, numa experiência piloto.
OPORUNIDADE
'Dizem que o computador é um bicho papão, mas estou me dando bem com ele"ANGELITA BELARMINO DA SILVA85 ANOSAposentada
"Aqui a gente tem oportunidade de aprender e de fazer novos amigos"ANTÔNIA SOBREIRA DA SILVA69 ANOSDona de casa

MAIS INFORMAÇÕES
Centro de Educação de Jovens e Adultos ,
Largo da TelhaMunicípio
Centro-Sul(88) 3581. 9467
HONÓRIO BARBOSA
Repórter/DN

Nenhum comentário:

Postar um comentário