terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cordel critica Caetano e comentário sobre Lula

A polêmica já é velha. Faz quase um mês que Caetano Veloso, em entrevista ao Jornal Estado de São Paulo, chamou Lula de analfabeto, “que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro”. Só que não resisti em trazer o assunto de volta quando descobri que o poeta baiano Antonio Barreto escreveu um cordel sobre o mano Caetano e suas observações a respeito do presidente da república, intitulado: “Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso”. Barreto, que já foi, inclusive, objeto de matéria neste Blog, nasceu em Santa Bárbara, uma pequena cidade do interior da Bahia. É professor e escritor. Em seu Cordel, o poeta afirma ter sido pressionado pelos alunos a se manifestar sobre o caso. Se não fizesse isso, seria um “cordelista medroso”, “omisso”, “conservador”, “educador preguiçoso”, como diz em seu versos. O professor Barreto, portanto, larga mão da preguiça e se põe a escrever sobre o episódio. E, como em todo bom cordel, abusa da acidez e das tiradas divertidas.

Barreto "coletou" opiniões de pessoas na rua para escrever o seu cordel

Barreto "coletou" opiniões de pessoas na rua para escrever o seu cordel

Nas rimas, afirma ter ido às ruas coletar opiniões sobre as declarações do compositor baiano. E assim, praticamente todas as estrofes do cordel com críticas a Caetano partem de “anônimos” - apenas nas três últimas o autor se pronuncia a respeito.

As críticas, aliás, são pesadíssimas. Em determinados momentos, deselegantes até. Expressões grosseiras como “imbecil”, um trecho com tom homofóbico, a sugestão de que o cantor seria racista e “lambe-botas do Toninho Malvadeza” (apelido do ex-senador Antônio Carlos Magalhães) são a prova da “pena pesada”.

Apesar desses grandes e inequívocos deslizes, o cordel também tem trechos muito inspirados, como a estrofe abaixo:

- Caetano ‘Cardoso’ segue
Sempre a favor do “vento”
Por entre fotos e nomes
Sem lenço nem argumento
Vivendo só do passado,
Cada vez mais ciumento.

ou

- O Caetano deveria
Ser modesto e mais gentil
Porém o seu narcisismo
Que não é nada sutil
Faz dele um homem frustrado
Por ser bem menor que Gil.

Na parte final do cordel, usa uma frase do próprio Caetano “Gente é para brilhar”, quase completando com o que poderia - sob a ótica iletrada deste blogueiro - ser dito em qualquer ocasião: “gente como a gente, qualquer gente”.

Barreto termina seu poema reclamando um luto pela existência de “racistas em nossa terra” algo que, nas palavras do poeta: “radicalmente refuto”.

Iuri Rubim
Blog das Ruas/Terra



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