Estudantes de Guiné-Bissau trocaram experiências com comunidade de Alto Alegre, em Horizonte
Fortaleza Alto Alegre é uma das 17 comunidades consideradas remanescente de quilombos no Ceará pela Fundação Palmares. Localizada no município de Horizonte, a comunidade recebeu, recentemente, 50 estudantes de Guiné-Bissau, que residem em Fortaleza. Na visita, eles puderam mostrar um pedacinho da África para os quilombolas cearenses.
São 93 famílias que, por muito tempo, viveram isoladas e pouco sabiam sobre a cultura africana. Mas, em 2005, Alto Alegre foi considerada uma comunidade quilombola pela Fundação Palmares e, a partir daí, a população pôde contar com verba do Governo Federal para ações de educação, saúde e cursos de capacitação.
Apesar das dificuldades, Alto Alegre conta com escola, creche e posto de saúde. Para Tereza de Jesus da Silva, coordenadora do Projeto Raízes de Quilombos, o reconhecimento social de seu povo foi uma grande conquista. "Mudou muita coisa, agora temos autonomia e oportunidades no mercado de trabalho, não temos mais vergonha de sermos negros", ressalta.
Dentre tantas novidades, a população do Alto Alegre está recebendo visitas de estudantes da África, numa espécie de intercâmbio cultural. A comunidade recebeu os estudantes com um lindo coral formado por crianças quilombolas. Segundo o presidente da Associação dos Estudantes de Guiné-Bissau no Ceará, Wladimir Ca, em Fortaleza residem 500 estudantes do país africano. Ele explica que a iniciativa é muito rica e que, além de receber informações, eles apresentaram um pouco das danças, músicas e costumes de sua terra. "Dessa maneira, eles podem conhecer seus ascendentes que só viam pela televisão", diz.
RECONHECIMENTOPovoado recupera autoestima da raça
Fortaleza Depois do reconhecimento como remanescente quilombola, Alto Alegre ganhou uma nova cara. Eles recebem verba do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Sistema Único de Saúde (SUS). Ano passado, representantes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) visitaram o local e fizeram investimento de R$ 35 mil.
Através do Projeto Raízes de Quilombos, a comunidade foi presenteada com 13 máquinas de costura. As crianças foram beneficiadas com uma biblioteca, além de serem ministradas palestras sobre gravidez na adolescência, um problema que era frequente. Também há o acompanhamento médico de crianças de zero a seis anos.
A comunidade ganhou a Associação dos Remanescentes de Quilombos de Alto Alegre e Adjacências (Arqua), que dispõe de telefone e computador. O presidente da associação, Francisco Holanda da Silva, ressalta que mais importante do que as melhorias foi o reconhecimento. "Antes, não tínhamos autoestima, agora queremos mostrar que somos negros e temos orgulho da nossa raça".
Manuel da Silva tem 43 anos e hoje é locutor da rádio da comunidade. Trabalhou na agricultura e enfrentou dificuldades para criar os três filhos. Mas, depois dos investimentos, tudo mudou na sua vida. Ele diz que, através de sua nova profissão, sente que tem um valor imenso na comunidade. E fala, orgulhoso, que através do investimento na educação do local, um de seus filhos vai prestar vestibular. "Antes, eu não gostava de andar no meio dos brancos, mas hoje sinto orgulho", destaca.
Karla Kamila
Repórter/DN

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