Primeira capital do Ceará tem único museu sacro, com peças que contam a história da religiosidade no Estado
Fortaleza. A escada de madeira que dá acesso ao piso superior do Museu Sacro São José de Ribamar, em Aquiraz, é uma volta ao passado. Em cada degrau, pode-se regressar no tempo e acompanhar o desenvolvimento e a influência religiosa no Estado. São mais de 1.400 obras que contam a trajetória religiosa no Ceará e a influência do catolicismo, como uma herança dos jesuítas ainda do período da colonização e início da cidade, em 1699. Aquiraz tem o orgulho de abrigar o único museu sacro do Ceará e um dos mais importantes do Brasil.
Se o museu é um local para contar a história de uma civilização, o de Aquiraz não fica limitado somente aos aspectos religiosos. O prédio, situado à Praça Cônego Araripe, nas proximidades da Igreja Matriz, remete à história do município. Antigamente, o prédio foi importante local da política e dos serviços de segurança da cidade: era lá onde funcionava a Casa de Câmara e a Cadeia Pública.
Por mais que tenha importância para o município, o prédio só passou a ser utilizado como museu em 1967, por iniciativa do ex-padre e ex-prefeito de Aquiraz, Hélio Paiva. Com isso, o Museu Sacro São José de Ribamar desempenha o papel de contar, pelo acervo, a história da religiosidade do Estado do Ceará desde o período em que foi colonizado pelos jesuítas e tinha como Aquiraz a cidade instituída como primeira capital da então capitania.
Hélio Paiva foi um dos responsáveis pela aquisição do acervo, como informou a diretora do Museu do Ceará e responsável pelo Museu de Aquiraz, Cristina Holanda. Além de ser uma referência para a história religiosa do Estado, o museu também pode ser incluído como um dos marcos da identidade de um município. Trata-se da referência de uma população que cresceu e se desenvolveu tendo o museu como cenário para as pesquisas escolares e diversos trabalhos acadêmicos.
De acordo com Cristina Holanda, o Museu Sacro de Aquiraz torna-se importante porque "pode-se perceber, por meio do acervo, a religiosidade expressa no Ceará em outros tempos. O acervo no museu contempla peças de vários lugares do Estado e também são produzidas por artesãos cearenses, que datam do século XVII e peças que vieram da Europa por encomenda", conta.
Atualmente, o prédio do Museu está em processo de restauração. O objetivo é promover um resgate histórico, respeitando a estrutura original do prédio. Com a restauração, o museu terá a instalação de um elevador para facilitar o acesso de pessoas com deficiência ao piso superior.
Além disso, o prédio ganhará um aspecto mais moderno, com a instalação de sistema de ar condicionado. Enquanto isso, as obras foram transferidas para o anexo do museu, onde funcionou a Secretaria de Educação de Aquiraz, na gestão passada, localizada aos fundos do museu. A restauração, de acordo com Cristina Holanda, vai proporcionar um resgate ao passado, à medida que estruturas serão preservadas.
Estrutura
Criado em 1967, o Museu Sacro São José de Ribamar, ou Museu de Aquiraz como é mais conhecido, guarda a peculiaridade de ser o único específico do gênero no Estado. Seu acervo, representativo da imaginária sacra aportada ou desenvolvida na região a partir do século XVIII, conta com 1.400 peças, entre imagens, objetos e paramentos litúrgicos. Centro convergente da cultura local, o Museu Sacro São José de Ribamar funciona atualmente como espaço vivo de educação patrimonial, com aulas ministradas frente às obras expostas.
O Museu Sacro São José de Ribamar transformou-se em canteiro de obras nos últimos quatro anos, com os trabalhos de recuperação de sua estrutura física e com a higienização da totalidade de seu acervo que, em parte, foi beneficiado também com obras de restauro. Enquanto isso, novos projetos museológico e museográfico eram ultimados para melhor conservação e apresentação de seu acervo e atendimento ao público mais eficaz. O local recebe, anualmente, uma média de 12 mil visitantes, atende a escolas da rede pública e privada, com visitas-guiadas, promove cursos de educação patrimonial, além de ações sócio-culturais e religiosas com a comunidade local.
Uma das peças mais importantes do Museu de Aquiraz é o cruzeiro, trazido por quatro padres jesuítas de Portugal para Aquiraz e usado em procissões no início do século XVIII. São 2,65 metros de altura e 27 quilos distribuídos em desenhos de anjos, figuras míticas, curvas e traços perfeitos, tudo de prata. A cruz era utilizada pelos religiosos para celebrar missas e fazer procissões pela cidade, daí a denominação de processional.
Ainda naquele século, o símbolo religioso foi deixado na Igreja Matriz São José de Ribamar pelos jesuítas e hoje integra o rico acervo do museu.
MAIS INFORMAÇÕES
Museu Sacro São José de Ribamar
Praça Cônego Araripe, 22 -
Aquiraz
(85) 3101.2818
Aberto de terça a sábado,
das 8h às 17h
Maurício vieira
Repórter/DN
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