Morosidade na definição de uso do prédio ferroviário irrita e preocupa moradores do distrito de Caio Prado
Quixadá. Um abraço simbólico na antiga estação. Com o gesto coletivo promovido pela Associação dos Amigos de Caio Prado (AACP), a comunidade do maior distrito de Itapiúna, na divisa do Maciço de Baturité com o Sertão Central, demonstra preocupação com a situação, de abandono, do prédio pertencente ao acervo da extinta Rede Ferroviária Federal S/A (Rffsa). Além da possibilidade de desmoronamento, reclamam da utilização do imóvel secular como um local de prostituição e consumo de drogas.
Os vizinhos não se conformam com a situação. Exigem providências, da Polícia e do órgão responsável pela manutenção do prédio público federal. O antigo agente da estação, José Dário Correia, lamenta a degradação do lugar onde trabalhou a maior parte da sua vida, enviando e recebendo mensagens telegrafadas. A filha, Maria de Fátima Correia, sugeriu a restauração do prédio em troca de cultos, utilizando-o como um templo evangélico, porém preservando suas características arquitetônicas.
PedidoEm 2007, a AACP requereu a cessão do imóvel à Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Segundo o diretor-presidente da entidade, José Marcelo Oliveira, a ideia é assegurar a preservação da unidade de embarque e desembarque da extinta Rffsa, um dos símbolos do progresso de Caio Prado, e destina-la a atividades sociais, educativas e culturais. O problema é que a cada dia a estação fica ainda mais deteriorada. Se não houver agilidade na liberação, o imóvel poderá se transformar em ruínas.
Três meses atrás, o Diário do Nordeste havia abordado a situação das estações espalhadas pelo Interior. Prefeituras e organizações não governamentais lutam pela destinação dos velhos prédios em espaços culturais. Aguardam ansiosas as transferências dos imóveis. De acordo com o técnico da SPU responsável pelo recebimento do inventariado da Rffsa, engenheiro civil Carlos Roberto Nevares, ainda vai demorar até a concretização dos levantamentos, pelo menos dois anos. Uma empresa especializada realiza o trabalho.
ConvênioAo saber da situação da estação de Caio Prado, o técnico avaliou a possibilidade de firmar um convênio de manutenção com a Prefeitura ou a entidade interessada. Nevares justificou o demorado levantamento físico cadastral ao número acentuado de bens da Rffsa. Não estão incluídas somente as estações e casas de agentes. Na relação consta até a malha ferroviária.
Carlos Roberto ressaltou que o fornecimento do inventário feito pelo Iphan poderá auxiliar na posse temporária dos interessados. Mas até agora o relatório não foi fornecido.
De acordo com o chefe da Divisão Técnica de Sobral, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), arquiteto Alexandre Veras, o levantamento, para constatação do patrimônio considerado cultural, de valor histórico, artístico e simbólico, está pronto. Porém, não recebeu nenhuma solicitação da SPU. Disse ainda não constar no escritório do Instituto nenhum processo referente à estação de Caio Prado.
PrioridadeO Iphan estabelece a prioridade de uso, cabendo preliminarmente ao Governo do Estado, depois às prefeituras e por fim as entidades não governamentais.
Responsável pela catalogação patrimonial da Rffsa no Estado, Veras sugere aos interessados manterem contato com o escritório regional do Iphan, em Fortaleza. Por meio dele será possível agilizar a análise das solicitações e fazer o encaminhamento dos projetos a Brasília. Com a aprovação, o imóvel poderá ser requerido a SPU. "Enquanto a tramitação não se concretiza, o órgão interessado poderá recuperar o prédio e utiliza-lo, mediante um termo de compromisso", completou o chefe Alexandre Veras.
Enquete
Como é conviver com a atual situação da estação?
"Ainda cheguei a pegar trem nesta estação. Era motivo de orgulho da gente. Mas, atualmente, é de causar vergonha"
Maria Nazaré de Oliveira
58 ANOS
Dona de casa
"É triste olhar para um lugar que um dia já foi motivo de muita alegria, agora abandonado pelo tempo e pelo descaso do governo"
José Dário Correia
80 ANOS
Telegrafista aposentado
"Dá dó olhar para esta estação desse jeito. Se essa gente não quer cuidar, pois deixe quem se preocupa com sua história"
Antônio Everardo Monte
68 ANOS
Agricultor
MAIS INFORMAÇÕES
Associação dos Amigos de Caio Prado:
(88) 3431.2067
Iphan - Ceará (85) 3221.6360 / 3221. 2180
Alex Pimentel
Colaborador/DN

Nenhum comentário:
Postar um comentário