"Com 82% de água armazenada, os açudes do Estado estão livres de um colapso graças à interligação de bacias"
Limoeiro do Norte. As bacias hidrográficas que receberam grandes volumes de água no período chuvoso deste ano "poderão apresentar problemas, se tivermos chuva para 2010 dentro ou acima da média, como ocorreu em 2009", afirma o presidente da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (COGERH), Francisco Teixeira. Com 82% do potencial de reserva, o Estado poderia chegar em 2010 perto do nível de colapso de armazenamento. Mas pelo menos 10 açudes são projetados e construídos por Estado e União para aumentar a capacidade de reserva e diminuir possíveis efeitos de uma quadra chuvosa rigorosa. A interligação de bacias é vista hoje como o maior instrumento para socialização da riqueza hídrica do Estado.
A boa oferta de água nos reservatórios do Ceará nos últimos anos pressionou para o que deve ser um decisivo passo na política de recursos hídricos: melhorar a distribuição deste precioso líquido. O biênio 2009-2010 é visto como de consolidação do carro chefe na interligação de bacias hidrográficas do Estado: o Canal da Integração, ou Eixão.
A grande obra, que ao seu final terá consumido cerca de um R$ 1 bilhão (recursos do Plano de Aceleração do Crescimento - PAC), foi projetada para abastecer a Região Metropolitana de Fortaleza, indústrias no Porto do Pecém e algumas comunidades do Interior, antes pouco esclarecido se seria diretamente ou não. Mas em termos práticos, comunidades que moram às margens do canal foram mapeadas neste ano para serem abastecidas. Nem sempre foi assim. "Isso não estava previsto no projeto inicial, foi adaptado", admite César Pinheiro, titular da Secretaria de Recursos Hídricos do Estado (SRH).
Água para famílias
Às margens dos trechos I e II, que já operam, centenas de famílias veem a água do canal passar na porta de casa e não têm como nem podem retirar. Os movimentos sociais pressionaram e os meios de comunicação evidenciaram, e neste ano veio a novidade: "Todas as comunidades que estão nas margens de dois quilômetros esquerda e direita do canal (com exceções para algumas comunidades distantes quatro quilômetros) serão abastecidas com suas águas", afirmou César Pinheiro.
O trecho I já abastece pelo menos 2,5 mil hectares do projeto Tabuleiros de Russas, entre Limoeiro do Norte e Russas, na região jaguaribana - promessa de virar um dos maiores distritos irrigados do Nordeste Setentrional. O trecho III está praticamente concluído, mas o consórcio construtor está atuando com "detalhes construtivos, em função do inverno", afirmou Teixeira, da Cogerh.
Em outras palavras, estão desentupindo calhas e bueiros de drenagem devido à grande intensidade das chuvas. É o que acontece nos dois trechos anteriores, inclusive com recuperação de meio-fios, pintura em material hidromecânico.
O trecho IV está cerca de 35% construído. O trecho V, em processo final de licitação, mas uma estação de tratamento já está em fase de conclusão para receber as águas do último trecho do canal, na verdade, uma grande adutora.
"Em algumas travessias de riacho, as estradas de manutenção foram rompidas pelas chuvas. Canal e tubulação não sofreram nada, mas as estradas ao lado do canal é que apresentaram rompimentos, em função da grande vazão causada pelas chuvas", explica Pinheiro, acrescentando que "o grande projeto é mesmo o Cinturão das Águas. Vamos pegar do São Francisco e levar, na encosta da Serra do Araripe, um canal que vai para os Inhamuns. A primeira etapa vai beneficiar a região do Cariri, que hoje é abastecida com água de áreas subterrâneas.
Comitês no Interior
O gerenciamento dos recursos hídricos no Ceará é trabalho recente - a Cogerh existe há 15 anos. Instituições públicas, privadas e sociedade civil atuam em 10 comitês espalhados pelas 11 bacias hidrográficas do Estado. O Governo do Estado quer estimular a formação de comitês locais para pequenos açudes, como forma de"diminuir a burocracia", afirma César Pinheiro. No mês que vem, a Funceme dará o primeiro sinal sobre como pode ser a quadra chuvosa que vem. Existem oito eixos de integração hídrica construídos no Estado do Ceará (332,90 km de extensão) um em construção (trecho IV do Eixão) e cinco projetados. O primeiro trecho do Cinturão das Águas, já sendo chamado de Canal do Cariri, deverá receber as águas integradas do São Francisco, numa extensão total de 160 quilômetros. A tarefa principal será levar a água para o maior número de habitantes.
DESAFIO
"Está licitado projeto de geração de emprego e renda para a população no Eixão"
CÉSAR PINHEIRO
Secretário de Recursos Hídricos do Estado
"O grande desafio é fazer com que as águas cheguem ao máximo de habitantes"
FRANCISCO PINHEIRO
Presidente da Companhia de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Cogerh)
Mais informações:
Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), (85) 3218.7032
Secretaria de Recursos Hídricos (SRH)
(85) 3101.3995
GERECIAMENTO
Comitês de bacias garantem melhores usos
Limoeiro do Norte. O que fazer com as águas do Ceará é uma decisão de muitos. Para isso existem os comitês de bacias, que atuam no gerenciamento dos reservatórios. Existem 10 comitês no Ceará, para 11 bacias hidrográficas. Só na região jaguaribana, com o maior aporte dos recursos hídricos (é onde está o Castanhão), são cinco comitês. E com o número de reservatórios e canais aumentando, a Cogerh tem sentido a necessidade de criar comissões locais para açudes de pequeno porte.
"Têm açudes com influência sobre um ou mais municípios, então é importante que certas decisões não precisem ser levadas aos comitês, que são regionais. O açude é um ´amortizador´ de cheias", afirma Francisco Teixeira, presidente da Cogerh. Os comitês de bacias estão previstos em lei, como parte integrante do Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Sigerh).
Com o Canal da Integração e o Cinturão das Águas, o Estado estará alimentado de canais desde as regiões mais importantes, como a Região Metropolitana e os perímetros irrigados, até as que mais sofrem com as estiagens, caso do Sertão dos Inhamuns, onde se chove metade da média anual do Estado. "A primeira etapa do Cinturão das Águas vai beneficiar toda a região do Cariri, onde não há rios que deem sustentabilidade hídrica e os Inhamuns", coloca César Pinheiro, secretário de Recursos Hídricos do Estado.
O governo estadual está construindo oito barragens, que fazem parte do Plano Estadual de Recursos Hídricos: Missi (em Miraíma, também vai abastecer Amontada), Gameleira (Em Itapipoca, também beneficiando Tururu e Trairi); Umari (Madalena), Jatobá (Ipueiras), Mamoeiro (Antonina do Norte), Genipapeiro (em Baixio, beneficiando Umari e Ipaumirim), Amarelas (Beberibe) e Riacho da Serra (Alto Santo). Três estão em obras, com recursos de U$ 103 milhões, de empréstimo no Banco Mundial. Outros dois açudes, Figueiredo e Taquara, são construídos pelo Dnocs, para conclusão até 2010.
De acordo com Francisco Teixeira, os reservatórios tornam-se, num futuro próximo, atrativos econômicos. "Valoriza a região para agricultura irrigada e indústrias". Daí a importância da correta distribuição do maior "ouro do sertão".
MELQUÍADES JÚNIOR
Colaborador/DN
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Interligação de bacias salva CE do colapso no armazenamento
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário