quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Festival:Por um Brasil instrumental

Divulgaçao
O Festival BNB da Música Instrumental chega à quarta edição, com shows em Fortaleza, Juazeiro do Norte, Sousa-PB e, pela primeira vez, em Natal. São 37 grupos, em 66 apresentações com entrada franca

Inicialmente pensado como um evento destinado a lançar um olhar sobre a atual produção nordestina na música instrumental, o festival vai ganhando ares nacionais, com atrações de estados como Rio de Janeiro, Minas gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. O que confirma a demanda por espaços em que esses trabalhos, quase sempre distantes dos canais mais convencionais de divulgação, possam ser mostrados ao público. Afinal, segundo os organizadores, um edital de seleção, que pede dos artistas o envio de projetos, é o principal meio de escolha das atrações para o festival. E o evento se mostra interessante a ponto de justificar o deslocamento de quem vem de longe para participar. E aproveitar a viagem para buscar outras conexões.

"O festival vem se tornando mais e mais conhecido pelos músicos, e isso ajuda a atrair gente do País inteiro. Tivemos inscrições para o edital, de onde vêm 70% das atrações, de músicos de estados muito distantes, que a gente não tinha essa expectativa", afirma André Marinho, curador e coordenador do festival. "Os grupos recebem um cachê de R$ 2 mil, com mais R$ 1mil para deslocamento. Quando um grupo é selecionado para tocar nos três centros culturais, por exemplo, já fica um valor significativo, que viabiliza a viagem", acrescenta.

"Também fornecemos declarações para facilitar uma possível busca de apoio em instituições públicas, secretarias de cultura... Além disso, através do edital, o festival é planejado com praticamente um ano de antecedência. É um bom tempo para que os grupos desenvolvam seu empreendedorismo, procurem outras oportunidades, outros lugares pra tocar, outras formas de divulgar o trabalho deles por aqui, buscar um público no Nordeste".

Em contrapartida à presença dos convidados de mais longe, grupos do Ceará e dos demais estados nordestinos continuam respondendo pela maior parte da programação, que inclui um intercâmbio entre as unidades do Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza, no Cariri e em Sousa-PB. Como novidade, este ano, as apresentações de abertura do festival acontecem, hoje e amanhã, em Natal, no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel, reunindo a cada noite atrações cearenses e potiguares.

Hoje, o grupo Candeeiro Jazz, de Natal, e o guitarrista Cristiano Pinho, de Viçosa do Ceará, aclamado instrumentista conhecido por seu trabalho ao lado de Raimundo Fagner e Kátia Freitas e atualmente se preparando para lançar seu segundo disco solo, o promissor "Cortejo". Amanhã, continuando a tabelinha Natal-Fortaleza, sobem ao palco Eduardo Taufic Trio e a Marimbanda, uma das formações referenciais da cena instrumental cearense.

Shows em Fortaleza

Já a partir de quarta-feira, 14/10, têm início os shows em Sousa, Juazeiro do Norte e Fortaleza, onde o baixista Jerônimo Neto se apresentando às 12h30 e o Quarteto Iguaçu às 18h30. Na quinta, 15, tocam Bob Mesquita e o Duo 13, enquanto na sexta se apresentam os cariocas Fernando Vidal e Alexandre Cavallo & Christiano Galvão. No sábado, 17, a partir das 17h, sobem ao palco os cearenses do Quarteto Bom Tom e o violonista paulista Zezo Ribeiro.

A programação se estende sempre com apresentações de quarta a sábado, até o dia 31. Entre outros destaques do evento, que reflete a pluralidade de formações e propostas nessa seara da música brasileira, estão nomes como o mineiro Adriano Campagnani, o quarteto Alevare, do Rio, e os gaúchos da Camerata Brasileira, com sua ousada e inventiva nova abordagem do choro. Além de grandes instrumentistas cearenses, como o flautista Marcelo Leite, o guitarrista Mimi Rocha, o baixista Aroldo Araújo e os integrantes da Dunas Jazz Band, com sua mistura de clássicos do jazz e temas dançantes da música soul, na costura elegante dos metais.

Em meio a tantas atrações, a diversidade de formações e propostas estéticas chama atenção, refletindo no festival uma característica desse novo mapa da música brasileira. "Tem coisas realmente muito diferentes, porque a música instrumental, hoje em dia, é assim", reforça André Marinho, sobre o evento cujos shows passeiam pelo choro e pelo jazz, pela guitarra e pelo violão clássico, pela rabeca e pelo piano, por composições inéditas e por releituras de obras universais, como a dos Beatles.

Um painel que por pouco não se mostrou ainda mais multifacetado. "Estávamos com tudo certo para a presença da Zabé da Loca, que daria um tom mais diferencial ainda. Ela foi selecionada, mas de última hora informou que não poderia vir", revela Marinho, lamentando a ausência de Isabel Marques da Silva, a ilustre mestra pernambucana do pífano, no leque de atrações do festival. Plural, como a música.

Mais informações
IV Festival BNB da Música Instrumental. Hoje e amanhã em Natal-RN e, de 14 a 31/10, shows de quarta a sábado nos centros culturais em Fortaleza (R. Floriano Peixoto, 941), Juazeiro do Norte (R. São Pedro, 337) e Sousa-PB (R. Cel. J. Jomes de Sá, 7). Entrada franca. Programação: www.bnb.gov.br.


DALWTON MOURA
REPÓRTER
DN

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