domingo, 4 de outubro de 2009

Economia do Ceará é destaque no pós-crise

Thiago Gaspar
Se o Nordeste vai entrando nos eixos, o Ceará parece também ter encontrado o caminho do desenvolvimento - salvo alguns percalços aqui e acolá, como indicadores ainda não tão louváveis no quesito educação e renda da população. Mas, ante o cenário de crise, o Estado tem sido o menos afetado no País. "Desde o início da crise, o Ipece vem ressaltando que a economia cearense é mais dependente do mercado interno e, por isso, a turbulência vem impactando menos e em setores diferenciados, e que não influenciam tanto na atividade econômica local, como no caso do setor exportador", afirma Eloísa Bezerra, economista do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

Assim, o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado, registrou, no primeiro semestre deste ano, sobre o mesmo de 2008, um crescimento de 2,8%, contra -1,5% da economia brasileira. Conforme levantamento do Ipece, os resultados do PIB cearense, no primeiro semestre, revelam que a economia local cresceu mais que a da Bahia (0,6%), mas perdeu para Pernambuco (3,8%). Ainda assim, superou o resultado de um estado de economia extremamente forte e madura: Minas gerais, com queda de 5% em seu PIB.

Desse modo, os principais indicadores conjunturais mostram-se positivos no acumulado de 2009 sobre 2008, com exceção da produção industrial, que registrou decréscimo de -6,7%, de janeiro a julho último - enquanto o Brasil decresceu, 12,8% e o Nordeste, -9,5%. "Mostrando que o Ceará vem apresentando taxas negativas menores nas duas comparações, Brasil e Nordeste", diz.

Comércio

O comércio varejista tem sido o destaque na economia cearense. De janeiro a julho deste ano sobre igual intervalo de 2008, o volume das vendas varejistas, que acumulou um crescimento de 9,2%, sendo a 3ª maior taxa da Região Nordeste, antecedido por Sergipe (12,2%) e Piauí (11,0%). Enquanto o Brasil registrou um volume de vendas do varejo de 4,7%, segundo o IBGE. "Ainda sobre o comércio, as pesquisas da Fecomércio-Ceará também confirmam que as vendas varejistas estarão aquecidas", diz a economista.

Emprego formal

Os resultados positivos da economia cearense neste primeiro semestre têm transbordado no mercado de trabalho formal - lembra Eloísa. O Estado registrou, no acumulado de janeiro a agosto último, um saldo líquido de 28.486 postos de trabalho, decorrente do bom desempenho das atividades industriais de transformação (11.599 postos de trabalho), construção civil (5.378 vagas) e comércio (1.786 postos de trabalho). "Mas as maiores oportunidades de emprego formal foram proporcionadas pelo setor de serviços (12.140 postos de trabalho), com destaque para alojamento e alimentação (5.372 ocupações)", destaca ela.

Inflação e turismo

Quanta aos preços, a inflação acumulou uma taxa de 3,03%, de janeiro a agosto último, medida pelo Índice Nacional de Preços (INPC), que abrange as famílias de um a seis salários mínimos. Pelo Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que abrange as famílias com um a 40 salários mínimos, a taxa para Fortaleza foi de 2,95% - uma das menores do Brasil.

Eloísa Bezerra destaca especialmente a atividade de turismo, com alguns de seus indicadores mostrando-se em alta, como o número de passageiros desembarcados em Fortaleza, que, no semestre, registrou uma elevação de 13,5% sobre o mesmo período de 2008, com a incidência de 982.440 passageiros, segundo a Infraero Nacional.

"Mediante os resultados conjunturais da economia cearense, nos primeiros meses de 2009, o Ipece mantém a perspectiva de crescimento de 2,5%, ainda acima da previsão nacional de -0,3%, segundo o relatório Focus. O setor Agropecuário ainda preocupa". (SC)
DN

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