A artesã Dalva Sousa Paula vai expor seus produtos feitos de palha em evento realizado no Rio de Janeiro
Sobral Que o chapéu de palha é um produto de referência no artesanato de Sobral todo mundo sabe. Mas os tempos são outros. Hoje, a tradição tenta ajustar os produtos feitos com palha trançada a novas práticas, criando alternativas para públicos mais diversificados. Jogos americanos, carteiras, pastas, tapetes e outras peças, tudo feito à base da palha da carnaúba, e os artesãos tentam com isso ganhar um mercado ainda pouco explorado.
É o que acontece com um grupo de artesãs do bairro Sumaré, periferia de Sobral. Guiadas por cursos de capacitação ministrados dentro da comunidade, elas estão empenhadas na confecção de novas peças que são mostradas ao público em feiras e eventos.
Esse interesse já começa a render bons frutos. Prova disso foi um convite feito à artesã Dalva Sousa Paula. A artista plástica do Rio de Janeiro, Maria Nepomuceno, convidou a artesã sobralense para participar de exposição que acontece na galeria "A Gentil Carioca", um espaço de arte localizado no Centro Histórico da capital fluminense. "Recebi o convite com muito orgulho, que me trouxe novas experiências de como desenvolver esculturas usando a técnica da palha de carnaúba", disse dona Dalva.
Segundo o gestor do artesanato na zona norte do Sebrae, Tomaz Machado, experiências como esta incentivam tanto a criação quanto o escoamento de novos produtos, que passam a ter um valor agregado mais elevado. "Se um chapéu de palha é vendido a R$ 0,50, esse mesmo material transformado em bolsa custa R$ 20. E agora essa nova técnica de criar objetos que servirão de decoração poderá representar uma mudança significativa na vida dessas pessoas", disse Machado.
Dona Dalva, que nasceu vendo a mãe fazer chapéu, conta que, com sete anos, já havia aprendido a arte. Ela lembra que no começo trabalhava apenas na fabricação de chapéus e que somente agora está descobrindo novas técnicas. "Apesar da boa divulgação, nós ainda não conseguimos espaço no mercado. Dos produtos que levamos para as feiras de artesanato, pouco é vendido", disse ela, que lamenta a pouca estrutura para desenvolver os trabalhos. "Um cento de palha custa R$ 24, que depois de transformada em ´capa´ rende em média R$ 35". Ela é mãe de três filhos, mas nenhum se interessa pela arte.
O grupo que dona Dalva lidera é formado por sete mulheres. Apesar de se sentirem atraídas para entrar no mercado exterior, a falta de experiência dificulta o acesso a novos mercados. "Há quatro anos, recebemos um grupo de americanos que veio aqui. Eles gostaram do nosso artesanato, mas na hora de exportar saiu muito caro, o que acabou não compensando", disse ela.
O convite feito por Maria Nepomuceno à artesã sobralense serviu para produzir arte e artesanato na beleza das tranças da palha de carnaúba gerando a exposição "Esfera Dalva", simulando uma paisagem de vulcões em erupção, crateras, asteroides e fragmentos de matéria suspensos. Esta exposição continuará aberta ao público até o dia 24 deste mês. Quem visita a exposição poderá identificar os materiais usados, alguns deles recorrentes nos trabalhos da artista Maria Nepomuceno, como as cordas e as contas, ambos usados em variações que vão do micro ao macro.
Mais informações
Sebrae - Sobral
Avenida Dr. Guarani, 1077
Centro
(88) 3611.8300
WILSON GOMES
COLABORADOR/DN

Nenhum comentário:
Postar um comentário