Ipojuca/PE O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Pernambuco, que pediu esta semana, pessoalmente, ao presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, para agilizar a construção da Companhia Siderúrgica de Pecém (CSP), no litoral cearense, ao mesmo tempo em que defendeu a construção de navios para transporte de minérios, no Brasil, em vez de adquiri-los na China, como sugere Agnelli. "Precisamos começar logo a construir essa siderúrgica (no Ceará). Eu já disse isso ao Roger". "E os navios, vamos ter que construir no Brasil", defendeu.
Decepção
Lula se mostrou decepcionado com o presidente da Vale, afirmando que ele já deveria ter começado as obras de construção das siderúrgicas do Ceará, assim como as do Espírito Santo e Pará. "Eu disse para o companheiro Roger Agnelli que era para termos começado a construir essas siderúrgicas no auge da crise, para dar uma resposta a quem estava com medo", afirmou o presidente.
A previsão é de que a siderúrgica cearense inicie as obras de terraplenagem em dezembro deste ano. O cronograma prevê que a primeira fase do empreendimento, com capacidade de produzir três milhões de toneladas de placas de aço anuais, esteja operando em 2013. Lula já havia citado a usina cearense na última quinta-feira, quando esteve no Ceará, durante discurso que fez no canteiro de obras do Residencial Patativa do Assaré, no bairro Granja Lisboa.
"Até o fim deste ano, eu volto à Fortaleza para conferir o início da terraplenagem da siderúrgica", prometeu Lula. Quanto aos navios, Lula afirmou o Brasil tem total condições de construir embarcações de grande porte, a exemplo dos 33 navios petroleiros, gaseiros, bunkers e aliviadores já contratados pela Transpetro - empresa subsidiária de Transporte e Logística da Petrobras - a estaleiros brasileiros nos últimos dois anos. As declarações do presidente ocorreram no início da tarde de ontem, após solenidade de batimento de quilha do primeiro navio da Transpetro, no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no Complexo Industrial e Portuário de Suape, no município de Ipojuca, em Pernambuco.
Na oportunidade, Lula falou ainda da determinação do governo de "desconcentrar" a reconstrução da indústria naval no País, com a construção de novos estaleiros em outros estados brasileiros. Ele não apontou, nominalmente, quais estados podem ganhar novos estaleiros. "Precisamos acreditar mais na gente. Quem de vocês acreditava, há cinco anos, que estaríamos hoje construindo navios e no Nordeste?", questionou o presidente para centenas de operários do Estaleiro EAS, autoridades públicas e privadas, e presidentes de entidades de classe que participaram ontem da solenidade de início oficial da montagem do primeiro navio Suezmax, do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro, em construção no EAS.
A solenidade foi marcada pelo acionamento pelo presidente Lula de um guindaste gigante, que posicionou o primeiro bloco K-13, com 15 por 15 metros, dois metros de altura e 150 toneladas, no dique seco do estaleiro. Em montagem, paralelamente à construção do estaleiro, o navio terá capacidade para transportar até um milhão de barris, a metade da produção diária de petróleo do Brasil.
A embarcação começou a ser construída há exatos 12 meses e deverá ser entregue em abril de 2010, conforme promete o presidente do EAS, Ângelo Alberto Belellis. "Estamos construindo o navio, juntamente com as obras civis, mas estamos dentro do cronograma", garantiu Bellelis, ao anunciar a entrega de mais dois navios ainda no próximo ano. Durante a solenidade, o presidente da Transpetro, Sergio Machado, e Ângelo Bellelis assinaram contrato para construção de mais sete navios, sendo quatro Suezmax, ao preço de US$ 746,51 milhões, e três Aframax, ao preço de US$ 477,06 milhões. Com esses, a Transpetro eleva para 22 o número de embarcações contratadas com o EAS. Na primeira fase do Promef, o estaleiro havia assinado contrato para construção de 15 petroleiros (10 Suezmax e cinco Aframax). "Esse ato, o contrato, me orgulha porque vejo a reconstrução da indústria naval brasileira materializar-se, hoje, com esse batimento de quilha do Estaleiro AES", declarou o titular da Transpetro.
Aviões
Provocado pelos jornalistas, o presidente disse que também pretende construir no País, os aviões e helicópteros de transporte que pretende adquirir para a força aérea brasileira.
"Queremos tecnologia para construir aviões no Brasil e o único que me ofereceu isso pessoalmente foi o Sarkozy (presidente da França)", respondeu Lula, sem descartar, no entanto, a possibilidade de negociar com empresas de outros países, a exemplo dos Estados Unidos.
Entrevista cancelada
A solenidade contou com a participação do governador pernambucano, Eduardo Campos, do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, e demais autoridades do setor naval. A entrevista coletiva marcada para o fim do evento foi cancelada. As autoridades foram convidadas por Lula para um almoço de inauguração oficial do Moinho da Bunge, também no Complexo industrial de Suape.
Diario do Nordeste
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