Juazeiro do Norte.. Momento de fé e irreverência na festa de Nossa Senhora das Dores. A procissão das carroças, realizada há 38 anos, é exemplo da manifestação de carinho à "Mãe das Dores" na terra do Padre Cícero. Mais de 200 carroceiros, conforme a organização, participaram do evento no fim da tarde de ontem, saindo da sede da Associação dos Carroceiros, na Rua São Pedro, passando pelo Centro da cidade até a Basílica de Nossa Senhora das Dores, onde foi celebrada a missa.
A procissão das carroças faz parte da programação organizada pela Igreja. No início da noite, acontece o noitário com os carroceiros e suas famílias.
A missa aconteceu na Praça dos Romeiros, por conta do grande número de participantes da romaria da "Mãe das Dores", já vindos de vários estados do Nordeste, além dos carroceiros, em sua maioria de Juazeiro do Norte, dos diversos bairros e sítios do município.
A origem da manifestação começou com o empresário Leandro Bezerra, seguida por sua esposa, Salete Bezerra Cruz, que não deixa de vir numa "carroça-andor", que traz a imagem da santa homenageada. Ela conta que o padre Murilo era um dos grandes incentivados da manifestação dos carroceiros e fez o pedido de dar continuidade à procissão, dois dias antes da grande procissão, que acontece no fim da tarde desta terça-feira, às 16 horas, saindo da Basílica, circulando as principais ruas do Centro da cidade.
Hoje, acontece outro grande momento da romaria: a procissão dos carros. Pela primeira vez, a festa dos motoristas de ônibus e caminhões pau-de-arara terá como incentivo uma premiação para o carro melhor caracterizado. Essa é uma oportunidade, segundo o secretário de Turismo e Romaria, José Carlos dos Santos, de estimular os participantes da festa. A fila dos carros se forma na Avenida Leão Sampaio, na entrada de Juazeiro, a partir das 14 horas.
Para o padre Paulo Lemos, a festa da "Mãe das Dores" é muito rica em expressões.
PELAS RUAS DE JUAZEIRO
Procissão marcada pela criatividade
A criatividade na hora de arrumar a carroça e seguir para a procissão faz parte do ritual de fé. O trio elétrico e a Fanfarra do Moreira de Sousa acompanhamento o cortejo, com direito a show pirotécnico durante o percurso. Cada carroceiro traz a família e os enfeites são dos mais diversos, com brilhos, chapéus, bandeirolas, flores, oratórios e imagens de santos, principalmente de Nossa Senhora das Dores e Padre Cícero.
Tem até animal vestido de noiva. Maroca entra na festa com batom, pulseiras, colar e até buquê. São 16 anos, seguindo o mesmo ritual. O seu dono, Antônio Luiz Farias, de 45 anos, se sente feliz em fazer essa homenagem à padroeira. Para ele, "Maroca nem se vende e nem se troca e tem todo o direito de se divertir também", afirma.
Dona Sebastiana Elias, 66 anos, participa pela primeira vez da procissão das carroças. Sempre preferia observar a saída, já que ficava próximo à sua residência, no bairro Romeirão.
Dessa vez, não deu outra, subiu em uma das carroças e seguiu na avenida feliz da vida. "Acho muito bonita essa homenagem. São pessoas simples homenageando Nossa Senhora das Dores", conta ela.
Seu Geraldo Ferreira da Silva, de 69 anos, participa do que considera "um momento de festa" desde o primeiro ano de realização. No princípio, tinha mais carroceiros. Com os mototáxis e os fretes com carrinhos de mão, houve uma diminuição no número de participantes, mas ele se anima em sair com os netos do sítio Popô, às 13h30, e no horário combinado pela coordenação estar no local da saída de todos os carroceiros. Na sua carroça, estão os netos e filhos. Toda enfeitada. "Essa é uma homenagem que presto à ´Mãe das Dores´, enquanto vida eu tiver", assegura.
Um oratório, imagens, flores e a pomba do divino, além das imagens de Frei Damião, Nossa Senhora das Dores e Padre Cícero. A cada ano, algo mais para incrementar a carroça de Antônio Severiano Rocha, 49 anos, e dona Maria das Dores Severiano. Ele, desde os 12 anos, acompanha a festa. São 37 anos de participação do que ele considera de grande importância em sua vida. "Hoje, infelizmente, são poucos carroceiros em relação aos anos anteriores", diz, mas a vontade de estar presente é sempre a mesma.
ELISÂNGELA SANTOS
REPÓRTER
DN

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