Dirigido por Patrícia Pillar, o documentário "Waldick, Sempre no Meu Coração" tem pré-estréia hoje e chega ao circuito comercial como uma bela homenagem ao poeta do cancioneiro popular, que morreu ano passado em meio a uma batalha contra um câncer de próstata
Ele, um poeta, um mito e um ídolo da música popular. Tachado de brega e cafona, se auto-intitulava romântico e não abandonava nunca o chapéu preto e os óculos escuros, suas marcas registradas. Ela, uma atriz global de reconhecido talento e que já emprestou sua imagem para vários personagens distintos tanto no teatro, como na televisão e no cinema: uma vítima da ditadura, uma bóia-fria, uma vilã memorável etc. Do encontro entre os dois, Waldick Soriano de um lado e Patrícia Pillar de outro, nasceu o documentário "Waldick, Sempre no Meu Coração".
Depois de percorrer o longo circuito de festivais, o filme chega às salas de cinema comerciais de Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo amanhã. Antes disso, o filme tem pré-estréia, hoje, a partir de 19h, no Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro, mesmo lugar que serviu de palco para a estréia do média-metragem ano passado, em abril, durante o Cine Ceará.
De lá para cá, Waldick Soriano perdeu a batalha contra o câncer de próstata, e o filme de Patrícia ganhou a dimensão de uma bela homenagem não só ao artista, mas também ao homem por trás do chapéu e dos óculos. "O artista está presente no documentário, claro", afirma Patrícia Pillar, em entrevista por telefone. "Mas o filme também fala sobre o homem, não só sua obra. É uma reflexão sobre esse homem e artista popular que foi um mito", continua. "O documentário traz uma série de temas importantes para mim e que eu queria mostrar: a saída do interior para a cidade, a fama, os amores, a solidão, a velhice, o declínio. Tudo isso permeado pelo humor de Waldick".
Patrícia não esconde que é fã das músicas do cantor, e foi esse fascínio que a levou a dirigir um documentário sobre seu ídolo. Entre o respeito e o compromisso com a verdade, a estréia da atriz como diretora apresenta uma câmera que olha para Waldick com carinho e admiração. O equilíbrio entre o homem e o artista e o seu humor e a sua melancolia conduz o filme e apresenta Waldick em sua intimidade. "Waldick não era pesado, apesar de ter suas tristezas", explica Patrícia. "Ele arcou com suas escolhas e lidou com as conseqüências de uma forma muito forte. O filme traz essa reflexão sobre suas perdas".
Retrato carinhoso
Com o consentimento do artista, Patrícia cola sua câmera em Waldick e o revela aos poucos. "Foi um caminho que aconteceu naturalmente. Aos poucos ele foi tirando a capa protetora e deixando de lado a parte do personagem que ele criou", acredita a diretora. "E eu tive toda a liberdade, e ele permitiu que eu sempre estivesse por perto. Procurei ser muito respeitosa e verdadeira, mas sem ser condescendente".
O resultado é um filme que resgata a memória de Waldick sem apelar para as convenções de um documentário biográfico. "O filme não é um retrato artificialmente colorido. Não tentei melhorar nem piorar Waldick. Procurei apenas retratá-lo, sem julgar. É o retrato de um homem que tem um espaço no imaginário da música popular", esclarece a diretora.
"Waldick, Sempre no Meu Coração" é, claro, a visão particular de Patrícia Pillar sobre ele. Cheio de delicadezas, sutilezas e coisas não ditas, segundo a diretora, o filme surgiu a partir da necessidade de revisitar histórias e recontá-las por um outro ângulo, principalmente no caso de Waldick Soriano, um artista que de alguma forma foi marginalizado.
A partir daí, Patrícia usou sua intuição e seus 25 anos de experiência como atriz para trazer ao público um Waldick admirado por muitos, mas, de fato, conhecido por poucos. Um encontro inusitado que começou com a gravação de um show musical no Cine São Luiz, em 2006, e ganha continuidade agora na telona. Waldick pode não estar mais entre nós, mas Patrícia e o público o reencontrarão logo mais em alto e bom som na tela grande. Pelo menos nos cinemas, o poeta não morreu.
FÁBIO FREIRE
REPÓRTER
DN
Ele, um poeta, um mito e um ídolo da música popular. Tachado de brega e cafona, se auto-intitulava romântico e não abandonava nunca o chapéu preto e os óculos escuros, suas marcas registradas. Ela, uma atriz global de reconhecido talento e que já emprestou sua imagem para vários personagens distintos tanto no teatro, como na televisão e no cinema: uma vítima da ditadura, uma bóia-fria, uma vilã memorável etc. Do encontro entre os dois, Waldick Soriano de um lado e Patrícia Pillar de outro, nasceu o documentário "Waldick, Sempre no Meu Coração".
Depois de percorrer o longo circuito de festivais, o filme chega às salas de cinema comerciais de Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo amanhã. Antes disso, o filme tem pré-estréia, hoje, a partir de 19h, no Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro, mesmo lugar que serviu de palco para a estréia do média-metragem ano passado, em abril, durante o Cine Ceará.
De lá para cá, Waldick Soriano perdeu a batalha contra o câncer de próstata, e o filme de Patrícia ganhou a dimensão de uma bela homenagem não só ao artista, mas também ao homem por trás do chapéu e dos óculos. "O artista está presente no documentário, claro", afirma Patrícia Pillar, em entrevista por telefone. "Mas o filme também fala sobre o homem, não só sua obra. É uma reflexão sobre esse homem e artista popular que foi um mito", continua. "O documentário traz uma série de temas importantes para mim e que eu queria mostrar: a saída do interior para a cidade, a fama, os amores, a solidão, a velhice, o declínio. Tudo isso permeado pelo humor de Waldick".
Patrícia não esconde que é fã das músicas do cantor, e foi esse fascínio que a levou a dirigir um documentário sobre seu ídolo. Entre o respeito e o compromisso com a verdade, a estréia da atriz como diretora apresenta uma câmera que olha para Waldick com carinho e admiração. O equilíbrio entre o homem e o artista e o seu humor e a sua melancolia conduz o filme e apresenta Waldick em sua intimidade. "Waldick não era pesado, apesar de ter suas tristezas", explica Patrícia. "Ele arcou com suas escolhas e lidou com as conseqüências de uma forma muito forte. O filme traz essa reflexão sobre suas perdas".
Retrato carinhoso
Com o consentimento do artista, Patrícia cola sua câmera em Waldick e o revela aos poucos. "Foi um caminho que aconteceu naturalmente. Aos poucos ele foi tirando a capa protetora e deixando de lado a parte do personagem que ele criou", acredita a diretora. "E eu tive toda a liberdade, e ele permitiu que eu sempre estivesse por perto. Procurei ser muito respeitosa e verdadeira, mas sem ser condescendente".
O resultado é um filme que resgata a memória de Waldick sem apelar para as convenções de um documentário biográfico. "O filme não é um retrato artificialmente colorido. Não tentei melhorar nem piorar Waldick. Procurei apenas retratá-lo, sem julgar. É o retrato de um homem que tem um espaço no imaginário da música popular", esclarece a diretora.
"Waldick, Sempre no Meu Coração" é, claro, a visão particular de Patrícia Pillar sobre ele. Cheio de delicadezas, sutilezas e coisas não ditas, segundo a diretora, o filme surgiu a partir da necessidade de revisitar histórias e recontá-las por um outro ângulo, principalmente no caso de Waldick Soriano, um artista que de alguma forma foi marginalizado.
A partir daí, Patrícia usou sua intuição e seus 25 anos de experiência como atriz para trazer ao público um Waldick admirado por muitos, mas, de fato, conhecido por poucos. Um encontro inusitado que começou com a gravação de um show musical no Cine São Luiz, em 2006, e ganha continuidade agora na telona. Waldick pode não estar mais entre nós, mas Patrícia e o público o reencontrarão logo mais em alto e bom som na tela grande. Pelo menos nos cinemas, o poeta não morreu.
FÁBIO FREIRE
REPÓRTER
DN

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