De acordo com Perlingeiro, a arte cearense tem grandes gravadores, inclusive com destaque no cenário nacional, porém o fato de ser uma arte solitária e pouco recompensadora - no sentido de que o trabalho dura algum tempo, e as obras têm um valor comercial pequeno - deve ter contribuído para o pequeno número de inscritos. "Já a escultura dá mais possibilidades aos artistas, pois pode ser trabalhada com vários materiais, como pedra, metal e resina".
Os critérios para a seleção dos trabalhos são, segundo Perlingeiro, "sérios e democráticos" e seguem uma seleção natural da qualidade das obras. "O nosso objetivo é dar oportunidade a novos talentos, por isso mesmo não podíamos nos limitar ao período de inscrição determinado pelo edital, somente porque assim estava previsto", opina.
Durante a avaliação das obras, a ser realizada nos dias 18 e 19 de agosto, a comissão de seleção formada, de acordo com Max, por cinco "pessoas notórias na área de cultura", se reúne para eleger 140 obras, distribuídas entre 60 pinturas, 15 desenhos, 20 gravuras, 20 esculturas e 25 fotografias. Já por volta de três dias antes da abertura da exposição, que acontece no dia 15 de setembro, serão conhecidos os cinco artistas vencedores, escolhidos pela comissão de premiação. "Cada comissão tem cinco integrantes cada, sendo três deles participantes das duas, até para que o resultado tenha uma unidade". De acordo com Max, é possível que também haja menções honrosas devido à alta qualidade dos trabalhos.
"Conheço alguns artistas que mostram coerência com a arte que produzem ao longo do tempo, sem entrar no mérito do valor dessas obras. Há também aqueles que, por exemplo, começaram fazendo figurativo e depois passaram para a arte abstrata. Pessoalmente, eu prefiro a coerência, porque demonstra que aquela obra não nasceu ao acaso", avalia.
De acordo com Max, os cearenses têm um talento nato nas artes em geral, por isso necessitam de uma chance em iniciativas como a da Unifor. "Temos um papel social importante, que é o de alcançar novos talentos", afirma.
Para ele, o que se vê hoje é uma grande confusão entre arte e mercado. "Acredito que a consagração do artista se dá quando ele pode trocar o seu trabalho, de forma honesta, pelo dinheiro. Muitas vezes, você pode ter uma crítica a favor do seu trabalho, mas não consegue vender a obra. Quantos hoje podem viver do que produzem?", indaga.
Diferencial
No evento, atividades paralelas, abertas ao público, também irão compor a programação. São elas: "Os caminhos da fotografia", palestra ministrada por Pedro Vasquez; "Ceará moderno", seminário apresentado por Paulo Herkenhoff; e "Quem tem medo da arte contemporânea?", seminário de Fernando Cocchiarale.
Além das ações, também será montada uma sala especial sobre a visão da arte moderna, por meio de uma pequena coleção que será exposta. Nesse sentido, de ampliar as possibilidades, estuda-se o aumento do número de categorias da Unifor Plástica, com a inclusão da chamada “novos meios”,com games e vídeos.
Mais informações:
XV Unifor Plástica. De 15 de setembro a 13 de dezembro no Espaço Cultural Unifor.

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