domingo, 21 de junho de 2009

Trilhas do sertão desafiam motoqueiros


Com o sertão mais verde e bonito, um grupo de motoqueiros aproveita para praticar o esporte sobre duas rodas

Honório Barbosa
Iguatu-CE. A busca por aventura faz com que um grupo de motoqueiros percorra estradas de terra e veredas aos domingos. As trilhas são definidas momentos antes da partida, por volta de 7 horas da manhã. No período de chuva, em que as estradas estão enlameadas, o número de participantes cresce porque os desafios e os roteiros enfrentados nas vilas rurais e nos sítios do Interior ficam mais emocionantes.

Além da aventura pelos sertões em trilhas que cortam os municípios vizinhos a Iguatu, os motoqueiros têm oportunidade de admirar a natureza, de aproximar amizades ou mesmo de fazer novos amigos. Há dois anos, os adeptos desse esporte radical fazem com regularidade os passeios a partir de estradas vicinais, veredas e muitas vezes em campos abertos, subindo e descendo serras, abrindo caminhos, passando córregos e vencendo desafios.

Para praticar o esporte com segurança, é necessário equipamento completo. Os motoqueiros usam capacetes, coletes, botas, protetores para os joelhos e pernas, luvas e óculos. Esses acessórios custam em média R$ 2 mil. A moto varia de preço, segundo o modelo. A mais comum, de 250 cilindradas, custa em média, R$ 12 mil. Há ainda equipamentos de primeiros socorros.

Paulo Holanda, que é um dos pioneiros em fazer trilhas rurais, observa que não são apenas os equipamentos que garantem segurança ao motoqueiro. “É preciso andar devagar, aproveitar o caminho para curtir a natureza”, disse. “Quem vem participar e prefere correr em velocidade sofre acidentes porque os caminhos são perigosos”.

Habilidade

As trilhas são caminhos difíceis de serem vencidos, pois há obstáculos. O gosto pela aventura atrai os motoqueiros que têm idade variada e profissões diferentes. O número médio de participantes é de 40. Exige habilidade e atenção dos trilhadores. “Você pode ter uma semana agitada de muito trabalho, mas participar da trilha tira o estresse. A diversão entre os amigos faz a gente esquecer os problemas”, diz o marchante, Tiago Costa.

Quem é casado precisa da compreensão da mulher e dos filhos. “Um domingo e outro não participo das trilhas para dividir o tempo com a família”, explica Eduardo Rocha. A aventura começa cedo, por volta das 7 horas, e só termina no fim da tarde. “A mulher fica preocupada, mas sabe que a gente faz o percurso com cuidado para evitar acidentes. Usamos a direção defensiva com habilidades que servem para a vida prática”, destaca o produtor rural e motociclista, Carlos Queiroz.

O vendedor Paulo Henrique Lima há três anos participa de trilhas e garante que o esporte proporciona adrenalina e desafios a serem vencidos a cada curva ou a cada sítio. “No fim, o bom é a confraternização, o debate sobre as manobras que fizemos em determinados lugares”, disse. “A gente tem motivo de sobra para discutir e rir”.

Nos sítios quando os motoqueiros passam com suas motos possantes e barulhentas chamam a atenção dos moradores que correm para as janelas, portas e muitos ficam nos terreiros de casa observando a passagem dos aventureiros. Alguns ficam assustados, garantem os praticantes do esporte radical. Outros já estão acostumados. São os mais jovens que admiram as roupas, acessórios e também as motos usadas no esporte radical.

Entre os praticantes das trilhas, o companheirismo é necessário e indispensável. “Não se deixa ninguém para trás”, observa Paulo Holanda. Há cordas para rebocar os colegas com as motos quebradas. A cada trilha são percorridos em média 200km. Os pontos mais desafiadores na região são as serras Verde, Lagoa dos Cavalos e Cabeça de Negro.

Honório Barbosa
Repórter
DN

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