quarta-feira, 17 de junho de 2009

Teatro José de Alencar a um passo do centenário

Divulgação
Entre reformas e reformulações, Theatro José de Alencar dá início à contagem regressiva para seu centenário

Hoje, o Theatro José de Alencar comemora seus 99 anos. O que falta para o esperado centenário é apenas um pulinho. É assim que pensa a diretora da casa, Izabel Gurgel. “Estamos trabalhando na perspectiva de um ano de atividades. É como se diz aqui no Ceará, quando alguém completa 99 anos, já vai dizendo: ‘tô dentro dos 100’”, conta a gestora, no anúncio oficial das ações para a celebração dos 100 anos do mais famoso teatro do Estado.

Ainda que se trate de um marco, a idéia do centenário é a de multiplicar ações mais do que festejar esta data específica. “Não estamos trabalhando na perspectiva de um grande evento. A grande vedete é o público”, define.

Neste sentido, o que se pode esperar do Estado para a celebração é uma espécie de ampliação da forma como o TJA vem sendo vivenciado.

A festa que dura um ano, e que começa um ano antes, remete à sede de celebração da vida do espaço. Afinal, também na quarta-feira se celebram os 10 anos dos dias 17 do Theatro, programação especial de periodicidade mensal criada ainda na gestão passada. Explico: nos dias 17 de cada mês, a casa abre suas portas para uma programação especial, que dura o dia todo e costuma envolver o maior número possível de espaços da entidade.

Não é difícil adivinhar que no dia 17 de junho, a festa tende a ser um pouco maior. Na quarta-feira, a festa se concentra na programação do “Zona de Transição – Encontro TJA de Artes Cênicas”, que segue até o dia 23, reunindo solistas e coletivos artísticos de cinco países (Brasil, Chile, Espanha, França e Itália). O encontro dá continuidade à política de eventos de formação que a direção do Theatro tem privilegiado.

“Acreditamos que é preciso demarcar um espaço de atuação do TJA na vida pública e cultural do Ceará. Pelo caráter público do teatro, é preciso pensar bem como vão ser aplicados os recursos. E nós acreditamos que a maneira é investir em formação”, defende Izabel Gurgel. Para a diretora do TJA, o investimento em formação não implica em menor atenção para o público. “Neste ‘Zona de Transição’, por exemplo, os artistas vão poder trocar experiências, expandir sua compreensão do que são as artes cênicas, mas o público poderá ver 10 espetáculos, apresentados pelos participantes, que são mestres naquilo que fazem”, explica.

Espaço físico

Aparentemente, o TJA é um pedaço do passado, encravado no turbulento e moderno centro de Fortaleza. O luxo característico das primeiras décadas do século XX destoa dos tapumes que escondem parte da Praça José de Alencar e das poluídas marquises dos prédios do entorno. Ainda que a condição de monumento sugira a imobilidade, a casa é como um organismo vivo. Como tal, se transforma com o passar do tempo e requer cuidados para manter a boa saúde.

“Tem sempre alguma coisa para fazer, para melhorar, para consertar”, conta Izabel Gurgel. Reparos que por vezes são vistos apenas pelos íntimos da casa, como recente reforma da coberta do palco, que eliminou infiltrações que o público não percebia, mas que eram um transtorno para os profissionais da cena. Outros incomodam a todos, caso do ar condicionado, que há alguns meses está sem funcionar. O “quebra-galho” conseguido também tem lá seus defeitos: trata-se de um conjunto de condicionadores de ar instalado no último andar da platéia, o que inviabiliza que este possa receber público para os espetáculos, além do ruído produzido pelas máquinas e a nem sempre eficiente capacidade de refrigeração.

A boa notícia é que o sistema de ar condicionado está sendo consertado. “As obras começaram em março. A previsão é que os trabalhos durem 120 dias”, conta Izabel Gurgel. A diretora do TJA garante que as obras de restauro previstas para este ano não vão interromper a programação da casa. “Quando fizeram a reforma de 1991 (na gestão de Violeta Arraes), o teatro passou muito tempo fechado. Mas é porque eles encontraram o Theatro num estado crítico. Hoje, temos muito o que fazer, mas são reparos mais pontuais: as portas do foyer, a respiração do banheiro que desemboca na sala, a estrutura metálica”, detalha.

Desde o ano passado, o Estado investiu R$ 1,8 milhões em melhorias físicas do TJA. O dinheiro vem sendo gasto em obras como a reforma do sistema de ar condicionado (a obra mais cara, orçada em mais de R$ 800 mil), do teto do palco principal e do sistema de cisterna que alimenta o ar condicionado (R$ 240 mil).

Parte do orçamento também foi dedicada à reequipagem da casa (R$ 700 mil). Estruturas para o palco principal e novas cadeiras para o foyer já foram instaladas; faltam chegar tapetes especiais para os espetáculos de dança, além de serem feitos reparos no foyer e nos banheiros.

Das melhorias prometidas pelo Estado para o TJA, há a integração do equipamento à Casa de Juvenal Galeno, espaço de memória deste escritor cearense e ponto de concentração de cordelistas, separado do teatro por cinco imóveis. O projeto está orçado em R$ 2,15 milhões, referentes às indenizações que serão pagas aos proprietários. O processo de desapropriação está em andamento na Procuradoria Geral do Estado desde fevereiro de 2008, mas, infelizmente, sem previsão de conclusão.

FIQUE POR DENTRO

Artes cênicas em discussão

O projeto Zona de Transição dá continuidade à série encontros que o TJA promete repetir este ano. Os outros encontros O Riso da Cena e A técnica como uma questão estética se concentram em torno de temas específicos e deverão ser realizados em outubro e dezembro, respectivamente. O Zona no entanto, tem como diferencial a programação que vai além do TJA: os teatros-monumentos do Icó (Teatro da Ribeira dos Icós, que chega aos 150 anos em 2010), recebeu a programação no final de semana passado; o Teatro São João (130 anos em 2010), de Sobral, entre os dias 6 e 7 de junho. A proposta é trabalhar, por meio de oficinas, a formação de artistas cearenses. Entre as atrações, grupos estrangeiros como a companhia La Belle Zanka (França), Los Corderos (Espanha) e o palhaço chileno Oskar Zimmer

DELLANO RIOS
Repórter
DN

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