Crato- CE. “Foi mesmo que mexer num enxu de maribondo”, definiu o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Crato (CDL), Geraldo Pinheiro, referindo-se a idéia lançada pelo secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Camilo Santana e confirmada pelo governador Cid Gomes de construir um parque de exposição moderno fora da cidade, sob o argumento de que o atual está pequeno para a dimensão alcançada pelo evento. A proposta desencadeou protestos por parte da população cratense.A caixa de ressonância dessa insatisfação foi a Câmara Municipal do Crato. Todos os vereadores manifestaram-se contra a idéia. Mesmo diante dos esclarecimentos do secretário e do governador de que era apenas uma idéia a ser discutida com a sociedade cratense, a sugestão está sendo interpretada como uma solução definitiva que tem como objetivo, segundo os mais radicais, “a transferência do parque para Juazeiro, ou o esvaziamento do maior acontecimento agropecuário e social da região”.
O ponto de partida dessa reação foi uma crônica do advogado Raimundo de Oliveira Borges, um dos fundadores da Expo Crato, lida no plenário da Câmara Municipal, expondo a necessidade de manter o atual parque. Os vereadores cobraram do Governo do Estado a recuperação das estradas que dão acesso ao Crato e a construção do Ginásio Poliesportivo, cujo terreno foi doado ao Estado há cerca de 14 anos e, até o momento, nada foi feito.
A intenção do Estado, segundo o secretário de Desenvolvimento Agrário, era triplicar a área do parque inserindo salas de inseminação, laboratórios, um moderno centro de manejo, auditório para cursos, mini-cursos e palestras, restaurantes permanentes, maior dimensão para a área de shows, museu e outros departamentos numa área de 40 hectares.
O atual parque, localizado no Centro da cidade, seria utilizado pela Universalidade Regional do Cariri (Urca) que está precisando de espaço para sua expansão. Porém, diante da reação contrária dos cratenses, garantiu Camilo, esclarecendo que foi apenas uma proposta que seria debatida pela comunidade. “Se a população do Crato não quer, o assunto está encerrado”, afirmou Santana.
Ma semana passada, por ocasião da assinatura da ordem de serviço do Parque Ecológico do Sítio Fundão, no Crato, o governador Cid Gomes reacendeu a polêmica, anunciando a proposta de construção de um novo parque. O Sindicato dos Lojistas do Crato reagiu, com veemência, à idéia, ao mesmo tempo em que solicita do Governo do Estado mais investimentos no atual Parque de Exposições do Crato.
Também está circulando uma abaixo assinado, que será enviado ao governador e ao secretário de Desenvolvimento Agrário, solicitando a permanência do Parque no mesmo local. Este é o pensamento do prefeito Samuel Araripe, que defende a idéia de investimento no atual parque com a abertura de duas ruas, ligando o Centro da cidade aos bairros Pimenta e Ossian Araripe, como define o Plano de Requalificação Urbana do Crato, elaborado por arquitetos, engenheiros e urbanistas.
De acordo com o plano, o espaço seria aproveitado pela Universidade Regional do Cariri, com a construção de sua vila olímpica. O prefeito diz que está aberto para qualquer discussão em torno do assunto. No entanto lamenta que, até agora, não recebeu nenhuma informação oficial sobre a idéia de construção do novo parque.
O presidente da CDL do Crato contratou um escritório de arquitetura para elaborar um projeto de ampliação e revitalização do parque, que inclui a abertura de duas ruas. O projeto será entregue ao presidente do grupo gestor da Expocrato, Francisco Leitão.
FIQUE POR DENTRO
Volume de negócios gira em torno de R$ 50 mil
Expocrato, cujo nome oficial é Exposição Agropecuária do Crato, é um evento realizado anualmente, no mês de julho, no município do Crato, localizado na região do Cariri, desde 1944, com uma tradição, portanto, de 65 anos. O volume de negócios durante o evento gira em torno de R$ 50 milhões. Misturando cultura, feira agropecuária e shows musicais, a Expocrato está entre os grandes eventos do nordeste brasileiro. São, ao todo, oito dias de festa, desfile e leilão de animais, comidas típicas e shows culturais. Além da área reservada para os shows com 120 mil metros quadrados, na parte externa são instalados diversos stands voltados para agronegócios e serviços, casa de farinha, engenho de cana-de-açúcar, palco para apresentações folclóricas, agências bancárias, parques de diversões, floricultura, artesanato e barracas de bebidas e comidas típicas. A área pertence ao Estado.
DN