
O primeiro caso de Influenza A, no Estado, foi confirmado, no último dia 24, pelo Ministério da Saúde. O nome da paciente é resguardado, mas divulga-se que a jovem de 22 anos voltou dos Estados Unidos (Nova Iorque) no dia 18 de junho. Desembarcou com febre, coriza, dor de cabeça e dores nas articulações e procurou o Hospital São José. O material recolhido para exame foi enviado ao Laboratório Evandro Chagas (Belém), considerado referência, nesse caso, para as regiões Norte e Nordeste. Enquanto aguardava o resultado, o hospital recomendou quarentena voluntária por dez dias - o que também significa não descuidar do uso da máscara. A jovem foi medicada e já passa bem.
A chegada da gripe suína ao Ceará, antes mesmo das férias de julho, reforça a prevenção. “Como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está dentro do Aeroporto (Internacional Pinto Martins), nosso dia a dia é de orientação. Hoje (ontem) mesmo, já chegaram cartazes novos e já fui pregá-los na lanchonete”, destaca Lúcia Lima, responsável pelo posto aeroportuário da Anvisa no Ceará. A informação é o ponto de partida. Com a alta estação, completa Lúcia, “nosso controle vai passar a ser individualizado”. Ou seja, passageiros procedentes de voos internacionais têm que preencher a Declaração de Saúde do Viajante, indicando, por exemplo, onde esteve nos últimos 14 dias e onde vai estar na próxima quinzena. Isso deve facilitar o monitoramento, calcula a Anvisa.
No caso dos voos nacionais, complementa Lúcia Lima, “temos que contar com a colaboração do próprio passageiro. Se tiver algum sintoma (da gripe suína), se apresentar no posto (de saúde do aeroporto)”. Na alta estação, o fluxo de pessoas, no Pinto Martins, chega a 11 mil passageiros (indo e vindo); dois mil a mais que o normal. Para julho, projeta a assessoria de imprensa, pode-se ter um aumento de 10%. O aeroporto faz ligações para 29 cidades do País. Os destinos mais procurados, a partir de Fortaleza, são Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Recife e Natal. Cidades que também são as principais emissoras de turistas para cá. Há ainda voos diretos e frequentes para Atlanta (EUA), Portugal e Cabo Verde.
O presidente do Comitê Estadual de Prevenção e Controle do Vírus Influenza A, Manoel da Fonseca Neto, recomenda aos cerca de oito, dez mil passageiros que estão de malas prontas para a Disney: “Quando voltar, passem, pelo menos, 48 horas em casa. Principalmente, os estudantes, que se expõem mais, fiquem em casa mesmo se as aulas retornarem”. Para quem não embarca, lembra o médico, vem o Fortal, em julho, com suas multidões atrás do trio elétrico. “Mas estamos alertas. Treinamos mais de 500 pessoas em portos, aeroportos, urgências em hospitais particulares”, tranquiliza Fonseca.
As aglomerações, assim como o clima frio, favorecem a propagação do vírus H1N1. Para o infectologista Anastácio Queiroz, diretor do Hospital São José, é fundamental não descuidar da prevenção. Apesar dos sintomas brandos da gripe suína, no Brasil, “as pessoas não devem negligenciar... Se não controlarmos, transformaremos um problema menor em maior. Todo cuidado que tivermos para que os casos não aumentem trazem benefício para todos. O sistema de saúde já é sobrecarregado”.
E-MAIS
> A alta estação, no Porto do Mucuripe, está compreendida entre novembro e março. É a época, por exemplo, dos cruzeiros que chegam de Pernambuco, Natal e Fernando de Noronha, bem como dos Estados Unidos e da Europa. Apesar de julho não ser um mês de grande fluxo, não significa que o porto esteja fora da rota da prevenção da Influenza A. Constantemente, aportam navios estrangeiros de carga, cuja tripulação, segundo a assessoria de imprensa da Companhia Docas do Ceará, é vistoriada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
> Além disso, destaca a assessoria, a Anvisa tem mantido encontros periódicos com os funcionários do porto, esclarecendo dúvidas e procedimentos sobre a gripe suína. Há também um representante do Porto do Mucuripe no Comitê Estadual de Prevenção e Controle da Influenza A, que reforça as informações.
O Povo
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