quarta-feira, 27 de maio de 2009

Comunidades vão cozinhar com energia solar

O sol inclemente, que mantém as temperaturas acima de 30 graus no norte do País, é o grande aliado do projeto que vai ajudar a preservar florestas e reduzir o consumo de energias não renováveis pelas comunidades amazônicas. A luz solar vai cozinhar alimentos, evitando a queima de lenha, de gás ou o uso da eletricidade, normalmente proveniente de usinas térmicas, altamente poluentes.

Paulo Henrique de Faria, Luciana Rodrigues, Luis Fernando Alves e Márcio Verraci desenvolveram quando ainda eram alunos de Tecnologia em Fabricação Mecânica, do Centro Universitário de Itajubá, Minas Gerais, um fogão a energia solar, cujos dois primeiros protótipos foram instalados nas comunidades Santa Luzia e São José, localizadas em Juruti, no Pará.

O projeto piloto do fogão foi o vencedor da sexta edição do Prêmio Alcoa de Inovação em Alumínio, realizada em 2007 em todo o Brasil. A idéia do projeto surgiu da tentativa de eliminar a degradação da natureza, afirma Faria, que ao lado de Alves e Verraci, mantém a pesquisa para aperfeiçoamento do projeto e para tornar viável sua produção em escala industrial. "Usamos o painel solar de uma maneira que ele possa conduzir um calor maior e que essa energia seja reaproveitada dentro de uma residência. Daí surgiu a idéia de fazermos um fogão alternativo", disse.

O fogão funciona como condutor de óleo. "A medida que o óleo obtém uma temperatura maior, ele troca de densidade e começa a subir. O calor é conduzido até o painel, chamado de tempera, base do fogão. Lá, é feita a circulação da temperatura com o óleo. A partir daí, a temperatura é transmitida para a panela", explica. No projeto, o óleo não é retirado do fogão. "O óleo funcionará como uma rede elétrica: aqueceu, o óleo sobe. Resfriou, ele desce."

Como é alimentado por quatro litros de óleo comum de cozinha, que pode ser reciclado, o projeto evita que o produto seja despejado na natureza, preservando até 4 milhões de litros de água.

Segundo Faria, o fogão custa em torno de R$ 700. "Entretanto, você vai produzi-lo e viver o resto da vida sem gastar com manutenção, ou seja, compra de gás, lenha ou eletricidade." Mas pode ser mais barato. "A chapa pode ser feita a partir de alumínio reciclado. E pode-se, também, reutilizar latinhas. Apesar de nosso material ter sido feito de alumínio um pouco mais caro, podemos aproveitar tudo o que a natureza nos oferece", afirma. Além da redução de custos, eles trabalham para tornar o aquecimento mais rápido, hoje estimado em 5 graus por minuto.

"Esta é uma iniciativa inovadora, e estamos abertos para testar novas descobertas nas comunidades de Juruti", afirma Fernanda Bombardi, coordenadora do Projeto Pajiroba em Juruti, de acordo com publicação da associação de mineradoras. O projeto, parceria entre o Instituto Alcoa, Fundação Alcoa e Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), escolheu a comunidade Santa Luzia, por estar localizada em várzea, local difícil de encontrar lenha para cozinhar.

DiárioNet

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