
Apesar do quadro de inundação e enchentes ter mudado neste município, a Defesa Civil alerta que ainda não é hora de voltar para casa. Mas, mesmo assim, 20 famílias já deixaram os abrigos e retornaram para suas casas. A maioria é moradora do bairro Tamarindo, um dos mais afetados pelas enchentes. “Tive que deixar minha casa por quatro vezes, e agora estou de volta. Acredito que não serei mais obrigado a deixar a minha casa, que durante este tempo virou um piscinão”, disse o agricultor Jurandir Pereira Rocha, morador da travessa Pintos Lemos.
Na rua onde mora, o retrato é de uma cidade fantasma, a maioria das casas permanecem fechadas e não há movimento na rua que fica às margens do Parque Mucambinho, que margeia o rio Acaraú. “Aqui foram poucas as pessoas que quiseram voltar. Tem muita gente que já desistiu de morar aqui”, acrescentou Rocha. A dona de casa Antônia de Fátima da Silva, não teve quer ir para abrigo, preferiu ficar na casa da mãe, a aposentada Francisca Zilda. “A água na casa dela só chegou até a calçada, por isso preferi ficar com ela”.
A casa que Antônia mora fica na rua Chile e ainda é de taipa. Ela disse que foi cadastrada no programa de habitação e espera receber o material para construir sua casa de tijolo. Enquanto isso, o morador José Pereira do Nascimento tenta recuperar a frente da casa. Ele usa as tábuas dos móveis que foram destruídos pelas águas. “Vou recuperando como posso”, disse.
“Todas as residências destruídas ou danificadas serão avaliadas e farão parte do programa de habitação que o município está elaborando. Por isso não é aconselhável que as pessoas mexam na estrutura de suas casas agora”, alerta Jorge Trindade, da coordenação da Defesa Civil de Sobral.
Jorge informou ainda que pelo menos 186 residências foram destruídas e outras 188 estão danificadas. “A maioria dessas residências está localizada no distrito de Aracatiaçu, um dos mais afetados pelas chuvas”, avalia ele.
Sobre a situação das localidades que estavam ilhadas, Jorge adiantou que ainda é preocupante em 12 deles, apesar do nível das águas ter baixado. “A maioria dessas localidades permanece sem acesso. As estradas estão intransitáveis o que dificulta o deslocamento desses moradores. A situação é mais preocupante nos distritos de Aracatiaçu e Taperuaba”.
Morada Nova
A Comissão Especial da Assembléia Legislativa que acompanha os efeitos das chuvas no Estado visitou Morada Nova, para avaliar os estragos e propor soluções. “Fizemos uma barreira no rio Banabuiú para impedir que as águas vazassem, escoando pelas laterais através de bombeamento”, disse o deputado Manoel de Castro. A providência reduziu a água em 1 metro.
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