quarta-feira, 25 de março de 2009

Falta de chuvas provoca perdas de milho e feijão

Foto: Honório Barbosa

Enquanto as chuvas estão regulares na zona norte, em municípios do sertão dos Inhamuns o quadro é de estiagem

Saboeiro. A falta e a irregularidade das chuvas nos municípios da região dos Inhamuns têm provocado preocupação das autoridades locais e o desespero dos produtores rurais. O quadro atual em muitas áreas do sertão é de perda em torno de 70% da lavoura de milho e feijão. Em muitas áreas não chove há mais de 15 dias e, se não houver precipitação nos próximos oito dias, haverá perda total do cultivo de subsistência na região.

Em Saboeiro, cidade distante 460km de Fortaleza, na região dos Inhamuns, a situação é considerada grave em face da perda estimada em 80% da lavoura de milho, feijão e algodão. Esse índice foi anunciado, ontem, pelo secretário de Agricultura do município, Raimundo Nonato Martins. “As chuvas foram poucas e irregulares”, disse. “Se não chover nos próximos dias vai ser uma calamidade pública”.

Quem percorre as rodovias estaduais e mesmo as estradas vicinais no Interior dos municípios no sertão dos Inhamuns pode ter a falsa impressão de que a quadra invernosa está favorável em face da mata nativa permanecer verde. Mas nas roças, o quadro é de perda da lavoura de subsistência de milho e feijão. Há 15 dias que não chove em Saboeiro e a última precipitação ocorrida em 10 de março passado foi de apenas quatro milímetros.

A chuva está abaixo da média. Na cidade, onde há um pluviômetro na Delegacia de Polícia, foram registrados até ontem, 167 milímetros. No campo, há região que choveu bem menos. Os açudes estão secos e 200 famílias já começam a ser abastecidas por carro-pipa da Prefeitura. Animais e moradores já começam a sofrer com a escassez de água.

No Sítio Lagoa Redonda, os irmãos agricultores, Sulivan Oliveira Lima e Raimundo Nonato Oliveira plantaram em janeiro passado quatro hectares de milho, feijão e algodão. Perderam toda a lavoura por falta de chuva. Em fevereiro, replantaram a roça. “Praticamente já perdemos tudo outra vez”, disse Lima. “Se chover logo ainda talvez apanhe um pouco de feijão”, espera ele.

O semblante dos agricultores é de tristeza. Pai e filho, Antônio Miguel de Souza e Miguel de Souza, plantaram em janeiro passado um hectare de milho e feijão, numa área de pedregulho. A lavoura não cresceu e a lagarta destruiu mais de 80% do plantio. “Está tudo acabado”, disse Antônio Miguel. “Não dá mais para fazer uma terceira planta”.

Geralmente, no sertão, as chuvas são intensificadas a partir da segunda quinzena de março. Tradicionalmente, quando o inverno é tardio, os agricultores aguardam até o dia de São José, 19 de março. “Perdemos a esperança”, disse o produtor familiar, Francisco Bastos. “Por aqui a lavoura está toda perdida”.

O prefeito de Saboeiro, Marcondes Ferraz, mostra-se preocupado com o quadro de irregularidade e escassez de chuva. “Já solicitamos à Defesa Civil e ao Exército o envio de carros-pipa para socorrer as famílias que estão com sede”, disse. “Vamos enfrentar uma situação que tende a se agravar com a falta de água e de alimento”.

Além de Saboeiro, há informação de perda da lavoura em face da baixa pluviosidade e irregularidade nos municípios de Aiuaba e Catarina, também na região dos Inhamuns. Segundo o agente rural de Aiuaba, Maurício Araújo, a falta de chuva e o ataque da lagarta estão destruindo a lavoura em várias regiões. “Próximo a Saboeiro, a situação está pior”, disse Araújo.

A secretária de Política Agrária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Saboeiro, Luíza Darc Alves, confirma o quadro de perda parcial da lavoura em diversas áreas do município. “Os produtores procuram o Sindicato e fazem relato da seca e da perda do plantio”, disse. “Na próxima semana, vamos fazer uma reunião para avaliar o quadro”, adianta. Em abril, haverá uma audiência pública em Saboeiro. “Vamos apresentar nossas demandas e esperamos apoio do Governo”, disse o prefeito Marcondes Ferraz.

Fonte: DN

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