terça-feira, 24 de março de 2009

Expectativa é pela reabilitação

PROCESSO NO VATICANO



Não é segredo para ninguém que Padre Cícero, a seu tempo, foi condenado pela Igreja Católica, especialmente por essa instituição no Ceará. Essa condenação foi um longo processo que se iniciou muito antes do famoso decreto do Santo Oficio – atual Congregação para a Doutrina da Fé – de abril de 1894, que afirmava ser o sangramento da hóstia um fenômeno vão e supersticioso. Portanto, mentira e fraude. Ao relembrar estes fatos, a psicóloga Maria do Carmo Forti analisa que sua reabilitação não é indiferente para os romeiros.

Padre Cícero, segundo a psicóloga, amava a Igreja Católica, lutou a vida toda para reaver suas ordens sacerdotais, viveu sempre dando testemunho de seu amor a Deus, à Nossa Senhora e à Igreja. Sofreu como poucos por não poder viver plenamente seu sacerdócio. O devoto, segundo Maria do Carmo, quer ver o Padre Cícero reconhecido também pela Igreja a quem dedicou sua vida.

A psicóloga, que faz parte da comissão que elaborou o documento de reabilitação, orienta que a Igreja reveja todo processo agora com os documentos que, por quase 100 anos, ficaram arquivados na Cúria da Diocese do Crato. Esses documentos, segundo a psicóloga, revelam os bastidores de toda história da “questão religiosa do Juazeiro” e foram estudados pela Comissão de Estudos para a Reabilitação Histórico-Eclesial do Padre Cícero.

“Foram compulsados documentos até então inéditos; foram lidas e catalogadas centenas de cartas, cujo conteúdo ninguém conhecia antes, revelando como se deram os encaminhamentos para as decisões tomadas, desfavoráveis ao Padre Cícero Romão Baptista”, diz ainda a carta entregue no Vaticano pelo bispo da Diocese do Crato, dom Panico.

“Portanto, é fundamental que a Congregação para a Doutrina da Fé saiba, exatamente em que, em quais idéias, pensamentos, sentimentos, ela, entre os anos 1893 a 1926, emitiu seus pareceres e decretos”. Ao fazer esta advertência, Maria do Carmo analisa: “É muito provável, eu pelo menos acredito nisso, que o então cardeal Ratzinger tenha percebido que os documentos que constam nos Arquivos do Vaticano não eram suficientes para se entender o caso do Padre Cícero. Por isso seu pedido para que fossem abertos os arquivos aqui do Brasil”.

Para Maria do Carmo, o Vaticano já respondeu ao pedido do povo. A abertura dos arquivos da Cúria do Crato demonstra que a Congregação reagiu a esses muitos pedidos. O que a instituição ainda não fez, nem podia fazê-lo, segundo a psicóloga, era dar uma resposta a eles. Isso porque quem deve pedir a reabilitação é o bispo da Diocese à qual Padre Cícero pertencia na época.

Foi o que fez dom Panico. Mas não só ele, é bom que se diga. A petição para a reabilitação do Padre Cícero foi assinada por 274 bispos do Brasil que, pouco antes da viagem a Roma para entrega dos documentos, estavam reunidos em Assembléia em Itaici, São Paulo.

É a Igreja do Brasil que reconhece que a Santa Sé deve considerar, com muita seriedade, esse pedido, porque o Padre Cícero merece. É uma questão de fazer justiça para com os romeiros de Juazeiro do Norte “visitar” Padre Cícero e Nossa Senhora das Dores numa atitude de resistência e de fé, apesar de todas as discriminações.

Antônio Vicelmo
Repórter
DN

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